A equipe de atletismo Caixa/Sercomtel/Consórcio União, de Londrina, inicia o ano com o objetivo de ampliar seu trabalho de formação - foco principal do projeto, que tem forte identificação social -, mas sem descuidar dos atletas de alto rendimento, que têm levado o nome da cidade e do clube às principais competições do continente. Este ano, com a saída do principal astro, o velocista José Carlos Gomes Moreira, para a equipe recém-criada de Bragança Paulista (SP), o time apostará em novos talentos, todos com idade até 19 anos.
José Carlos, o Codó, que estava em Londrina desde 2005, deixou a equipe em dezembro depois de ter conquistado a medalha de ouro no revezamento 4x100m nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em agosto. No ano passado ele também cravou a segunda melhor marca do País nos 100m rasos (10s16), o que lhe garantiu na equipe de revezamento. Em 2006 foi notícia nacional ao ganhar os 100m no Troféu Brasil.
Porém, Codó recebeu uma proposta ''irrecusável'' que a equipe londrinense não teve como cobrir, conforme relatou à FOLHA o coordenador geral do projeto, José Eugênio Zaninelli. ''Mantê-lo aqui ficaria muito caro para nós, que teríamos que arcar com cerca de R$ 70 mil no ano só para pagar seu salário. Seria mais de metade do valor total que receberemos este ano do município para toda a equipe de alto rendimento masculina e feminina (R$ 130 mil)'', argumentou Zaninelli.
A decisão de não ''segurar'' o atleta foi tomada com base no foco principal do clube, que é o trabalho formativo. ''É diferente de outras equipes como a BM&F (de São Paulo) e essa agora de Bragança, que investem mais em atletas de ponta para aparecerem no cenário nacional'', comparou Zaninelli.
Hoje, segundo ele, Londrina é vista no Brasil como ''um grande centro de formação''. ''Nosso propósito é oferecer uma oportunidade de vida melhor a centenas de crianças oriundas principalmente da periferia. E vamos continuar com esse foco em mente, mas também queremos melhorar os contratos de alguns atletas campeões, para ficarmos com eles por mais tempo'', afirmou o coordenador.
Neste sentido, um colaborador da equipe está preparando contratos de imagem para os principais atletas juvenis e Sub-23 com o objetivo de garantir uma melhor remuneração a eles e manter um vínculo obrigatório com a equipe por determinado período. ''Quando o atleta ganha projeção, como é o caso do Joilson Bernardo da Silva, os outros clubes começam a procurá-lo e oferecem vantagens para tentar levá-lo. Por isso precisamos nos resguardar'', antecipou.
Joilson, 20 anos, é fundista e já participou de três Mundiais de Cross Country: em Saint Ettiene (França), em 2005; em Osaka (Japão), em 2006; e em Mombaza (Quênia), no ano passado. Foi preparado para correr os 5.000m nos Jogos Pan-Americanos do Rio, mas ficou de fora porque terminou o Troféu Brasil 2007 em 4º lugar.

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