Atletismo dá mais uma prata ao Brasil
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domingo, 22 de outubro de 2000
Marcos Freitas Enviado da Folha a Sydney 
A bandeira brasileira subiu outra vez no pódio das Paraolimpíadas de Sydney. O atleta Antônio Delfino de Souza fez grande corrida e garantiu a medalha de prata nos 400m categoria T46. O brasileiro terminou a prova em 50s27, no seu melhor tempo na temporada. O australiano Francis Health ficou com o ouro paraolímpico, cravando o tempo de 50s16.
Antônio terminou o percurso com muitas dores devido a uma tendinite que afetava o músculo interior de sua coxa esquerda. Ao terminar a corrida, o atleta caiu no chão. Já na coletiva com os atletas, começou a sentir dificuldades para andar. Ele disse que que ficou tão nervoso na hora de se vestir que colocou o macacão ao contrário. Ainda bem que eu corri certo, brincou. Quando entrei no estádio e vi a torcida amarela do Brasil, esqueci a dor e aí, era só pernada, explicou Antônio, referindo-se a proeza da vitória mesmo contundido.
O atleta é considerado um fenômeno em sua categoria. Antônio resolveu dedicar-se ao atletismo em janeiro do ano passado. Até então, futebol era seu esporte favorito. Pouco mais de um ano depois, o atleta leva ao Brasil ao pódio como o segundo melhor do mundo na categoria T-46 (para deficientes físicos). Ele vem treinando de forma mais profissional desde março deste ano.
Da roça para o Estádio Olímpico Antonio Delfino de Souza tem uma história de várias vitórias dentro e fora das pistas. Ter sobrevivido à fome no Piauí é apenas primiera delas. Em seu currículo constam episódios dignos de registros. Ele perdeu parte do braço direito aos 17 anos quando trabalhava na roça. Se mudou para Brasília em 1991 atrás de uma vida melhor. Hoje trabalha em um clube da cidade onde recebe R$ 500,00, pouco para quem tem que sustentar sete pessoas em casa, a primeira filha que ainda mora no Piuaí e outra criança que está por vir no início do próximo ano.
Ele conta que no iníco de seus treinamentos ele tinha apenas uma sapatilha para tereinar. Era boa mas apertada, tive que mandar para o sapateiro para alargar, conta, dizendo que calça 40 mas a sapatilha só tinha número 38. Depois as coisas melhoraram um pouco e eu comprei um tênis melhor, só que tinha que dividir com meu enteado que calça número igual, disse
Para competir em Sydney ele escondeu dos seus treinadores a contusão que o atormenta. Se eu não fizesse isso eles me deixariam de fora, disse. Ele conta que quando chegou no Estadio Olímpico para a prova final foi um momento inesquecível. Lembrei de tudo que havia passado na vida e pensei: esta é a corrida da minha vida, disse. E foi, completou. O atleta comemorava não só a vitória mas também os 300 dolares americanos que vai receber do Comitê Paraolímpico Brasileiro pela conquista. Vai dar para pagar algumas contas que tenho em Brasília, disse bem humorado.


