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m de leitura Atualizado em 06/05/2022, 15:25

Atlético se recusa a aplaudir Real Madrid e questiona tradição espanhola

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de maio de 2022

BRUNO RODRIGUES
AUTOR autor do artigo

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MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Não é comum que clubes rivais parabenizam uns aos outros quando algum deles conquista um título. No máximo uma publicação no Twitter, protocolar, como fez o Barcelona no último fim de semana ao parabenizar o Real Madrid pela consagração no Campeonato Espanhol.

Contudo, no futebol da Espanha, existe a tradição do "pasillo", um corredor formado por jogadores de uma equipe que recebem o seu adversário com aplausos depois de que este ganha alguma taça importante.

Neste domingo (9), no estádio Wanda Metropolitano, os jogadores do Atlético de Madrid não formarão corredor nenhum. Aplausos, somente para os próprios torcedores.

Fazer ou não o "pasillo" foi algo bastante discutido na imprensa da Espanha nos últimos dias. O Atlético, de maneira oficial, já informou que não realizará nenhum tipo de ato que aluda ao título do rival. Trata como uma humilhação.

"Se eu tivesse que tomar a decisão, parece-se uma mostra de respeito fazer o 'pasillo' ao time campeão. O Getafe fez ao Betis (que conquistou a Copa do Rei), eu fiz a outros times. Quando eu estava no Real, fizeram com a gente. Não faço ideia de por que o gesto se desvirtuou", afirmou Fernando Hierro, ex-capitão do Real Madrid e ex-técnico da seleção espanhola.

O último ato desse tipo que teve maior repercussão aconteceu na temporada 2007/08, quando o Barcelona visitou o Real no Santiago Bernabéu.

Campeões espanhóis, os madridistas foram recebidos com aplausos pelos jogadores do time catalão. Na época, o Barcelona era treinado por Frank Rijkaard. Alguns atletas como Sergio Ramos e Xavi, adversários no clássico e companheiros de seleção, cumprimentaram-se durante o ato.

No campo, o Real Madrid venceu por 4 a 1. Foi o terceiro e último "pasillo" realizado em um Real x Barcelona.

A tradição, que remonta à década de 1970, foi quebrada recentemente. Cicatrizes daquela que foi provavelmente a década mais tensa da rivalidade entre os dois maiores clubes do país.

Em dezembro de 2017, logo após os madridistas terem conquistado o Mundial de Clubes, o Barcelona não realizou o gesto de reconhecimento ao título. Na sequência, em maio de 2018, foi a vez de o Real descartar o "pasillo" como uma mostra de respeito aos catalães, recém-campeões de LaLiga, como é chamado o Espanhol.

"Eu não sou ninguém para decidir que não quero fazer o 'pasillo'. Eles não fizeram. Nós, respeitosamente, não faremos. O mais importante é que respeitamos o que conseguiu o Barcelona, ganhar a liga, que para mim é o mais bonito e o mais complicado. Mas aconteceu isso, e é questão minha, não é do clube. Se eles tivessem feito o 'pasillo', eu não romperia com nada que era feito antes", disse Zidane, técnico do Real Madrid em 2018.

Luís García, revelado no Barcelona e com duas passagens pelo Atlético de Madrid, pensa que o time de Simeone deveria fazê-lo.

"São passados valores para as novas gerações, e isso está se perdendo um pouco. É importante que esse tipo de coisa seja visto por meio das grandes plataformas que são hoje os grandes clubes. Fazer o 'pasillo' engrandece, porque, se você fizer, no dia em que chegar a sua vez, farão também", diz o atacante espanhol, campeão da Liga dos Campeões com o Liverpool.

Neste domingo, ainda que para o Real Madrid o duelo valha pouco, para o Atlético os três pontos são importantes.

A equipe, quarta colocada com 61 pontos (três a mais que o Betis), quer se manter nos postos de classificação para a próxima Liga dos Campeões. E quer também evitar, claro, que seu rival festeje mais um triunfo em uma semana especial, ainda mais dentro de sua própria casa. O título espanhol conquistado no último fim de semana e a épica classificação à final europeia já foram golpes suficientes.

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O jornalista viaja a convite de LaLiga