Atlético representa virada na vida de vários jogadores
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 24 (AE) - O Atlético-MG, o único classificado por antecipação nos playoffs do Campeonato Brasileiro, ao derrotar o Cruzeiro duas vezes consecutivas, é formado, em grande parte, por jogadores que não viviam bons momentos em seus clubes de origem, antes da transferência para a Vila Olímpica. Entre os que estavam relegados a segundo plano, estão o goleiro Velloso, os meias Gallo e Valdir e o centroavante Guilherme. Todos eles chegaram ao final da temporada com o prestígio recuperado e têm feito grandes partidas pela equipe mineira.
Eles são unânimes em dizer que, apesar de o Atlético-MG não ser uma equipe "brilhante", tem grandes chances de conseguir o título brasileiro pela segunda vez.
Velloso, de 31 anos, viveu seu inferno astral no Palmeiras, no primeiro semestre do ano. O atleta, formado no Parque Antártica, achou que estava na hora de mudar de ares quando perdeu a posição para Marcos. "Desde o início do ano, eu queria sair, mas o técnico Luiz Felipe me pediu para ficar até junho, pelo menos, e eu aceitei", diz. Velloso ainda teve uma contusão, em março, que afastou-o até do banco de Marcos por quase quatro meses. "Quando voltei, meus procuradores e empresário estavam analisando propostas de outros clubes e o Atlético-MG foi o primeiro a formalizar", afirma o goleiro, que por pouco não seguiu para o Vasco.
Gallo, de 32 anos, teve boas passagens pelo Santos e pela Portuguesa, nos últimos anos. No princípio de 1998, estava no São Paulo e entrou na lista de jogadores negociáveis, elaborada pela comissão técnica que queeria desinchar o plantel. Do tricolor, seguiu para o Botafogo, onde ficou poucos meses até a transferência para o Belo Horizonte.
Capitão do time, Gallo acredita que um dos motivos do sucesso que ele e os companheiros têm alcançado possui íntima relação com a fase que o Atlético está passando, do ponto de vista admistrativo. "A diretoria foi renovada e elaborou um audacioso projeto de reestruturação do clube", diz.
"Isso contagia o grupo de jogadores." Companheiro de intermediária de Gallo, o paranaense Valdir, 35 anos, já passara pela equipe alvinegra e voltou ao clube depois de uma experiência não muito boa no Cruzeiro. Valdir nunca havia se firmado no time azul, embora fosse amigo e conterrâneo do então treinador Levir Culpi. Sempre ficava na reserva.
No retorno ao Atlético, onde sempre foi ídolo dos torcedores, Valdir reencontrou sua melhor forma. "Sempre gostei de atuar como cabeça-de-área, primeiro volante, ajudando os zagueiros, e fazendo isso acho que rendo muito mais", afirma.
O atacante Guilherme, de 25 anos, vice-artilheiro do campeonato com 20 gols, é outro que tornou-se ídolo da torcida somente no Atlético, depois de períodos de instabilidade e de banco em três grandes clubes - São Paulo, Grêmio e Vasco, do qual, aliás, saiu bravo com dirigentes e integrantes da comissão técnica.
"Eu precisava era de uma oportunidade para mostrar meu valor", diz. "O Atlético me deu a chance e estou procurando não desperdiçá-la."


