Atlético não teme quebra de sigilo
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terça-feira, 19 de dezembro de 2000
Fernando Tupan De Curitiba 
Antes de prestar contas para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, o Atlético Paranaense resolveu abrir os contratos das negociações envolvendo os centroavantes Paulo Rink, Lucas e o meia atacante Adriano. O novo presidente do Conselho Gestor, Marcus Aurélio Coelho, que tomou posse domingo à noite, apresentou ontem até mesmo uma declaração assinada pelo doleiro Alberto Youssef confirmando ter feito empréstimos ao atual campeão paranaense durante a construção do Estádio Joaquim Américo.
A quebra do sígilo bancário do clube não preocupa o atual presidente. Não estamos nos sentindo atingidos. Eu ficaria preocupado se os senadores não tivessem agido dessa maneira. Se não quebrassem nosso sigilo bancário eu acharia que o Atlético não seria considerado uma equipe de primeira grandeza no futebol brasileiro, disse, lembrando que o rubro-negro foi a única equipe do Brasil a ceder um jogador para vestir a camisa da seleção da Alemanha, Paulo Rink.
Com relação à negociação de atletas para o mercado externo com a intermediação do empresário uruguaio Juan Figger, Coelho explicou: o time paranaense não tem acesso ao mercado externo e necessitou de alguém com relacionamento internacional.
A partir daí o discurso do dirigente mudou com relação ao empresário uruguaio. Até então Figger era apontado por antigos dirigentes como parceiro do clube. Hoje, no entanto, o Atlético admite ter a parceria com os clubes Rentistas e Central Espanhol, do Uruguai. Esses clubes são conhecidos no mercado internacional como equipes em que transitam jogadores de Figger. Na semana passada a televisão mostrou como ocorreu a operação envolvendo Lucas, em que o rubro-negro faturou US$ 7,5 milhões. A transferência do centroavante para o Rennes, da França, não foi assinada pelo Atlético e sim pelo Rentistas, que detinha os outros 50% do passe.
Os jornais franceses e brasileiros divulgaram que Lucas foi vendido por US$ 21 milhões. O Atlético declarou ao Banco Central o valor de US$ 7,5 milhões e mostrou documentos que comprovaram a veracidade da negociação. Até mesmo recibos das taxas de conversações foram apresentadas nos valores de US$ 2 milhões, em 18 de agosto; US$ 3.999.980,00, em 15 de setembro e US$ 1,5 milhão, em 18 de setembro. Coelho também lembrou que o Furacão tem parcerias com o Bragantino e com o empresário Reinaldo Pitta.
O que não ficou bem explicado foi o empréstimo de R$ 56 mil reais do doleiro Youseff na conta do Clube Atlético Paranaense. Coelho afirmou que a equipe teve negócios na época da construção da nova Baixada, a partir de 1997. Já o doleiro, que está preso em Londrina, afirmou o contrário em depoimento ao Ministério Público: que a negociação teria ocorrida entre 1994 e 1996.
Para comprovar a veracidade da informação, Alberto Macullan, coordenador executivo do clube, apresentou uma nota, assinada por Alberto Youssef, sem a assinatura reconhecida em cartório, mostrando que empréstimos ocorreram durante a construção do estádio ou seja até a metade do ano passado.


