São Paulo - A ‘‘Família Murtosa’’ sofreu o primeiro abalo, numa tarde desastrosa, de desentendimentos e em que tudo deu errado. O Palmeiras, jogando um futebol de time pequeno, perdeu do Atlético-MG por 4 a 0 e foi humilhado em pleno Palestra Itália. Um presente de grego para o clube que hoje completa 88 anos de vida. Nem o campeão mundial Marcos nem o ídolo Arce conseguiram se safar. Dodô, que chegou com a intenção de ser artilheiro, quase não pegou na bola.
  A atuação, abaixo da crítica, irritou o torcedor, que não teve constrangimento em chamar o técnico Murtosa de ‘‘burro’’ apenas em seu segundo jogo no comando da equipe. Foram gritos tímidos, mas que demonstraram a insatisfação dos palmeirenses com a formação da equipe, muito defensiva e sem criatividade.
  Nenê, que vinha sendo um dos destaques do Palmeiras, ficou mais uma vez no banco. Entre os titulares, porém, estavam Fabiano Eller, Juliano e Juninho, que não conseguiram marcar, criar ou chutar a gol. Sorte do Atlético-MG, que não conseguia vencer no Palestra Itália havia 63 anos.
  A revolta da torcida era tão grande que os jogadores tiveram de correr para o vestiário a fim de evitar hostilidades. Nem Marcos escapou da fúria alviverde. ‘‘Timinho, timinho, timinho’’, gritaram, pedindo a contratação de reforços.
  Desde o início, o Atlético mostrou-se bastante superior. Dominou o jogo e criou inúmeras oportunidades para marcar. Fez 4, mas poderia ter feito 6 ou 7. O destaque foi o lateral-direito Mancini, que estava com o pé calibrado. Numa bela cobrança de falta, ele abriu o placar, aos 20 minutos. E ampliou com uma finalização de fora da área, aos 44.
  Os dois chutes foram fortes e complicados para que Marcos defendesse, mas parte da torcida achou os dois lances defensáveis. O goleiro foi prejudicado pelo sol. Entrou em campo sem boné. Não vê tanta utilidade em sua utilização.
  Murtosa tentou corrigir o time na segunda etapa, quando pôs Nenê, Leonardo Moura e Itamar. Mas não conseguiu. Os mineiros continuavam passeando no Palestra Itália. Ampliaram com Leonardo, aos 26 minutos, e fecharam o placar com o baixinho Souza, ex-São Paulo, de cabeça, aos 40.

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