Atlético-MG busca parceria para manter elenco
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quinta-feira, 23 de dezembro de 1999
Por Paulo Guilherme 
São Paulo, 22 (AE) - A classificação para a disputa do título brasileiro e, consequentemente, para a Taça Libertadores da América, permite ao Atlético-MG prever tempos de prosperidade nos próximos anos. Sua dívida é superior a R$ 25 milhões, mas a situação deve mudar, com o acordo de parceria com o grupo mexicano Corporación Interamericana de Entretenimiento (CIE), mediado pela Octagon Koch Tavares e aprovado pelo Conselho Deliberativo do clube Mineiro.
O consórcio deve investir no Atlético, em 15 anos, cerca de R$ 440 milhões, segundo o presidente do Alvinegro, Nélio Brant. "Vamos ter US$ 10 milhões no ato, mais US$ 15 milhões para contratar reforços e outros US$ 10 milhões previstos como orçamento para 2000", anuncia Brant, que assumiu o cargo há um ano. Em contrapartida, o consórcio terá o direito de uso da marca Atlético-MG e a porcentuais sobre os passes dos atletas.
"Com a parceria, ficaremos mais tranquilos para nos dedicarmos a outro assuntos", ressalta o presidente. "Nossos advogados estão acertando detalhes para a assinatura do contrato
no início de 2000." Quanto a "outros assuntos", Brant refere-se, principalmente, a negociações com vários clubes para manter em Minas os atletas que foram à final do Brasileiro. O objetivo, agora, passa a ser a disputa da Taça Libertadores da América.
O time mineiro foi finalista com um elenco biônico. Dos 11 titulares, apenas dois jogadores têm passe preso ao Atlético: Bruno e Cláudio Caçapa. Os demais chegaram a Belo Horizonte com o passe emprestado ou alugado. "Imagine só, se eu não comprar o passe do Guilherme, a torcida me mata", afirma Brant. A situação do atacante é a menos grave. Para ficar em definitivo com o artilheiro do Campeonato Brasileiro, o Atlético-MG tem de depositar, até julho, US$ 2 milhões na conta do Vasco.
Agora, com o término do Brasileiro, encerra-se o acordo de empréstimo do passe do volante Belletti, do meia Robert e do lateral-esquerdo Ronildo; o mesmo ocorre em relação ao volante Valdir e ao zagueiro Galván, donos do próprio passe.
A situação de Belletti é a mais delicada. O São Paulo emprestou o passe ao Atlético sem fixar preço. Com a valorização
graças à conquista do título, a diretoria vai ter de gastar mais do que esperava para ficar em definitivo com o atleta. "Já iniciamos contato com a direção do São Paulo para tentar contratar o Belletti", diz Brant.
O Grêmio quer Robert de volta. O passe está fixado em R$ 1,5 milhão. Ronildo deve retornar ao Botafogo-RJ no fim da troca
por empréstimo, de seu passe pelo do atacante Valdir. O presidente do Atlético já admitiu que não pretende ficar com Valdir e vai pôr seu passe à venda. Galván e o volante Valdir querem continuar no clube e esperam por proposta. "Não queremos deixar ninguém sair", comenta o presidente. Gallo e Adriano têm contrato até julho e Velloso fica no Atlético pelo menos até 2001.
A permanência do técnico Humberto Ramos dependia, inicialmente, do sucesso do Atlético-MG na decisão contra o Corinthians. Humberto deverá reunir-se com o presidente para acertar se fica ou sai. Mas ele já avisou: "Uma coisa é certa: não volto a ser supervisor; vou seguir minha carreira como técnico."


