Agência Estado
De Belo Horizonte
O clássico entre Atlético e Cruzeiro, domingo, promete ser destaque da primeira rodada dos quartas-de-final do Campeonato Brasileiro. O Atlético deve ser dirigido, mais uma vez, pelo supervisor de futebol Humberto Ramos, que comandou o time na vitória de 2 a 0 sobre o Grêmio, quarta-feira, no Mineirão. É que a diretoria do clube desistiu de buscar um substituto para Dario Pereyra, demitido na segunda-feira.
Assim o ex-jogador Humberto Ramos foi confirmado para dirigir o time até o final da competição. O jogo contra o Grêmio foi a primeira experiência de Ramos como técnico. Ele jogou como meia-direita quando o Atlético-MG se sagrou campeão brasileiro em 1971 e recentemente atuava como supervisor do clube.
Segundo o diretor-executivo Bebeto de Freitas, o principal contato foi feito com Emerson Leão, do Internacional. O clube gaúcho, no entanto, negou-se a liberar o treinador. Mário Jorge Lobo Zagallo era a segunda opção, mas o nome gerou divergências entre os dirigentes e a idéia foi abandonada. ‘‘Optamos por manter o Humberto Ramos, que é um homem de confiança da diretoria’’, disse Bebeto.
No Atlético, cuja classificação só foi definida na última rodada da primeira fase – graças também às derrotas de Guarani e Palmeiras –, jogadores e dirigentes ficaram satisfeitos em pegar o Cruzeiro. ‘‘Se pudéssemos ter escolhido o adversário dos playoffs, seria o Cruzeiro mesmo’’, disse o vice-presidente do clube, Alexandre Kalil. ‘‘O Atlético sempre gostou deste tipo de situação, em que enfrenta o favorito’’, completou, lembrando que no Campeonato Mineiro, no primeiro semestre, o Cruzeiro era o mais cotado para o título, mas foi batido pelo alvinegro.
A definição do confronto entre os dois rivais mineiros causou reações diferentes. O técnico cruzeirense Levir Culpi disse ontem que se pudesse escolher não enfrentaria o tradicional rival nesta fase do campeonato. Levir queixou-se do regulamento do Brasileiro, que, para ele, é injusto ao permitir que uma equipe, mesmo tendo ficado em segundo lugar, com 42 pontos, jogue com outra – que teve nove pontos a menos –, apenas com a vantagem de três empates.
‘‘O campeonato que fazem permite que um time que fez campanha regular e foi o vice-líder enfrente outro, da mesma cidade, com vantagem pequena e sem poder contar, por exemplo, com o mando de campo nos dois últimos jogos’’, afirmou. ‘‘Eu gostaria que o clássico acontecesse numa decisão de campeonato; não agora, porque vai nos causar um desgaste muito violento’’, acrescentou. ‘‘Seria a mesma coisa se desse Corinthians e Palmeiras’’, comparou ele.
Culpi teme que, devido ao clima de rivalidade entre as torcidas, os jogadores sofram um desgaste excessivo, que acabe prejudicando seu desempenho nas semifinais. ‘‘Vai haver um desgaste violento nos dois ou três primeiros jogos, mas, de qualquer forma, chegamos em segundo lugar e vamos fazer prevalecer nossa vantagem e superioridade técnica’’, afirmou.
Apesar disso, Levir disse estar confiante na passagem do Cruzeiro às semifinais. ‘‘Com o apoio dos nossos torcedores, vamos tentar fazer prevalecer a superioridade técnica do Cruzeiro, que aconteceu durante todo o campeonato.’’

mockup