Curitiba - Valorizar o clube, mas também as emissoras de rádio. Esta é a justificativa da diretoria do Atlético para instituir, a partir do Campeonato Brasileiro, a cobrança pelas transmissões radiofônicas de suas partidas. A partir de agora, para irradiar um jogo do clube, cada rádio terá que pagar R$ 15 mil por partida, ou R$ 456 mil pelo pacote do Brasileirão - fica livre de pagamento apenas a transmissão de boletins, desde que a soma de tempo não ultrapasse três minutos de duração.
A decisão, recebida com indignação pelas emissoras de rádio curitibanas, que prometem recorrer à justiça, é considerada irrevogável pelos dirigentes atleticanos, que afirmam ser este um passo a mais na profissionalização do futebol. ''Temos certeza que a valorização desta mídia virá como consequência. As cotas de patrocínio que as rádios cobram hoje, sem que paguem aos clubes pelas transmissões, certamente aumentarão'', afirma Mario Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo do Atlético.
Que projeta a repetição do que ocorreu com as transmissões pela televisão. ''De 1996 para cá, os valores pagos para a transmissão do Brasileiro cresceram 45 vezes'', complementa, destacando que o Clube dos 13 está perto de fechar a venda do Brasileirão-2009 por R$ 450 milhões, contra os R$ 10,6 milhões recebidos há 12 anos. Em relação à principal reclamação das rádios, de que os valores cobrados são elevados, Petraglia discorda. ''Nós entendemos que são números baixos e daqui há algum tempo acredito que nos reuniremos para confirmar esta tese''.
Para defender a cobrança, inédita no Brasil, o advogado Fernando Pimenta, afirma que ela faz parte do direito sobre o espetáculo, que pertence ao clube. ''Não é pelo fato de não estar previsto na Lei Pelé que este direito não exista. Nossa tese é que ele existe de forma análoga ao das transmissões pela televisão'', explica.

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