Atlético festeja a vaga; Coxa, a vitória
Ed Carlos Rocha
De Curitiba
O Coritiba venceu o Atlético Paranaense por 2 a 1, de virada, ontem na Arena da Baixada, mas quem continua no Torneio Seletivo da Libertadores 2000 é o Atlético. Como venceu o primeiro jogo na quinta-feira por 4 a 1 e tinha a vantagem de dois resultados iguais, o Rubro-Negro poderia ter perdido até por três gols de diferença que continuaria na competição.
Mas o resultado criou uma situação curiosa. Os dois times comemoraram no final do jogo. O Rubro-Negro, claro, pela classificação, e o Alviverde por ter marcado história, vencendo o primeiro Atletiba na nova Arena desde que foi reinaugurada, em junho deste ano. Além disso, o Coritiba quebrou um tabu de 28 anos sem vencer o adversário no Joaquim Américo.
Com a permanência no Torneio Seletivo, o Rubro-Negro vai enfrentar agora o Inter (RS), que eliminou o Grêmio (RS). O primeiro jogo deve acontecer na próxima quarta-feira, em Porto Alegre, e o segundo no final de semana, na Arena. Como teve melhor campanha na primeira fase do Brasileiro, o Rubro-Negro também terá a vantagem de dois resultados iguais. Fora o Coritiba, o Inter foi o único time a derrotar o Atlético na Arena.
Apesar de tanta comemoração, a partida ficou longe em termos de emoção em relação ao jogo da última quinta-feira, no Couto Pereira. Ao contrário das inúmeras oportunidades de gol criadas no primeiro jogo, os dois times tiveram poucas chances claras para marcar, apesar do Coritiba ter que fazer quatro gols de diferença para se classificar.
E os planos do Coritiba em vencer de goleada começaram a minguar cedo. Logo aos cinco minutos, numa saída errada da defesa do Alviverde, o atacante atleticano Kléber recuperou a bola, avançou para área e chutou forte. O goleiro Gilberto rebateu e Kelly bateu de primeira, dentro da grande área, para fazer 1 a 0.
Depois do gol, o Coritiba começou a tocar bem a bola no meio-de-campo, principalmente com Darci e João Santos. A exemplo do que havia acontecido no primeiro tempo da partida da última quinta-feira, os dois tiveram liberdade para criar as jogadas devido à pouca marcação do Atlético.
O Rubro-Negro se posicionou para tentar o contra-ataque, sempre puxado por Kelly e Adriano, mas não conseguiu também levar muito perigo ao gol do Alviverde. Sem muita pressa para atacar, o Atlético procurou administrar o resultado para não deixar o Coritiba se empolgar.
E o Coritiba teve um bom motivo para se entusiasmar aos 34 minutos. Depois de uma cobrança de escanteio, a bola sobrou para João Santos na meia-esquerda. Ele cruzou para o zagueiro Leonardo, que matou a bola no peito, deu um chapéu no goleiro Flávio e tocou de cabeça para empatar a partida em 1 a 1, fazendo um dos gols mais bonitos da Arena da Baixada até agora. Mas mesmo com o gol do Coritiba, o jogo não melhorou. Os dois times tocavam a bola sem objetividade.
No segundo tempo, o técnico Márcio Araújo tentou deixar a equipe mais ofensiva. Ele tirou o atacante Luiz Carlos Mattos para a entrada do volante Reginaldo Nascimento. Segundo o treinador, a idéia era fortalecer o sistema defensivo para liberar mais os meias e os laterais para atacar. Enquanto isso, o técnico do Atlético, Oswaldo Alvarez, preferiu acordar os atleticanos. De acordo com ele, o time precisava melhorar a marcação.
O Atlético melhorou mesmo a marcação, dificultando mais o toque de bola do adversário. Marcando mais, o Atlético conseguiu ficar mais com a bola, mas, apesar dos toques rápidos e envolventes entre Adriano, Kelly e Lucas, o Rubro-Negro também não conseguiu criar jogadas que pudessem resultar em gol.
Com isso, a partida ficou concentrada mais no meio-de-campo, com os dois times perdendo a bola no ataque e recuperando na defesa. O resultado foi um jogo ruim, com os lances de emoção se restringindo a chutes de longa distância.
As emoções da partida ficaram guardadas para o final. Aos 40 minutos, numa falha de Dutra, Lucas recuperou a bola e chegou sozinho na frente de Gilberto. Mas na hora de concluir, ele chutou fraco.
E tal qual como no jogo da quinta-feira, a máxima quem não faz toma se repetiu. Logo após o lance de Lucas, Dutra, do Coritiba avançou pela esquerda e cruzou para João Santos, que mais uma vez teve papel decisivo na partida. Ele dominou e ajeitou para o lateral Reginaldo Araújo, que chutou forte, no ângulo esquerdo de Flávio para fazer 2 a 1.
NA BAIXADA
Atlético 1
Flávio; Alberto, Gustavo, Leonardo e Vanin; Fabiano (Cocito), Axel, Adriano e Kelly; Lucas e Kléber. Técnico: Oswaldo Alvarez
Coritiba 2
Gilberto; Reginaldo Araújo, Flávio, Leonardo e Dutra; Ataliba, Mozart, João Santos (Struway) e Darci (Jackson); Luiz Carlos Mattos (Reginaldo Nascimento) e Basílio. Técnico: Márcio Araújo
Árbitro: Cláudio Vinicius Cerdeira
Estádio: Joaquim Américo, em Curitiba
Renda e público: Não fornecidos
Gols: Kelly aos 5 e Leonardo aos 34 do 1º; Reginaldo Araújo aos 42 do 2ºAlviverde vence o rival de virada em seu primeiro clássico na nova Baixada mas não consegue reverter a goleada de quinta-feira
Albari RosaBOLA DIVIDIDAOs meias Kelly e João Santos dividem a bola: Atlético e Coritiba fizeram jogo de pouca emoção na Baixada





