"Acabamos de carimbar o centenário do Coritiba". A frase dita pelo presidente do Atlético, Marcos Malucelli, resume o quanto foi especial ao torcedor rubro-negro a vitória de 2 a 0 sobre o Cianorte, ontem, na Arena. O sentimento de ser campeão no ano em que o maior rival comemora 100 anos só não foi maior do que o mérito da própria façanha. Após ser líder em toda a primeira fase,levar dois pontos extras e o supermando para o octogonal, em um campeonato de fórmula esdrúxula, o Atlético encerrou o campeonato como começou: em 1º lugar. É o 22º título estadual conquistado pelo Furacão na história.
A festa pelo feito foi ainda mais especial em virtude de que o clube não conquistava a taça há três anos. Esse jejum correu o risco de ficar ainda maior. Na combinação de resultados da emocionante rodada final do Paranaense, em que além do Atlético, Coritiba e J. Malucelli poderiam ser campeões, durante 15 minutos o troféu ficou nas mãos do Jotinha. O Furacão dependia de uma simples vitória para quebrar o jejum, enquanto Coxa e Jota precisavam vencer e torcer pelo tropeço atleticano.
Empolgado pela vitória sobre o invicto Corinthians no meio da semana, o Atlético partiu para cima do Cianorte, que só cumpria tabela. Na vontade e em jogadas aéreas, especialmente para o zagueiro Rhodolfo na segunda trave, o Atlético chegou duas vezes antes dos dez minutos.
Mas do Ecoestádio veio a informação de que o Jotinha havia marcado contra o Paraná, com Bruno Batata. Naquele momento, o Atlético via a taça escapar pelas mãos. O time insistia mas, ansioso, mostrava sinais de desorganização, principalmente na ligação do meio para o ataque. Sem Marcinho, suspenso, o time fazia a ligação direta da defesa para o ataque e o Cianorte, com um número excessivo de faltas, tentava segurar o ímpeto atleticano. O apelo às faltas era tanto que antes dos 17 minutos, três jogadores do Leão do Vale já haviam recebido o amarelo.
O torcedor nas arquibancadas mostrava-se impaciente, mas ficou aliviado ao saber que o Paraná havia empatado o jogo. Coincidência ou não, Aos 21, Rhodolfo, de cabeça, quase abre o placar. A blitz atleticana continua até que, aos 47, Wesley limpou a marcação na entrada da área e chutou. O goleiro Marcelo falhou e a Arena explodiu: 1 a 0.
Após o intervalo, no primeiro lance de perigo, Fabinho derrubou o garoto Raul dentro da área e Rafael Moura, com paradinha, marcou seu 14º gol no campeonato e iniciou a festa atleticana. A partir dali, o time tocou a bola e, aos 37, o torcedor não se segurou mais e soltou o grito de campeão. "Foi mais do que merecido, terminamos o campeonato em primeiro nas duas fases, com o artilheiro do campeonato, enfim, valeu. É muito bom voltar a ser campeão em um clube que é minha casa", comemorou Geninho, emocionado.




EM CURITIBA

Atlético 2
Galatto; Chico, Rhodolfo e Antônio Carlos; Raul, Jairo, Wesley, Julio dos Santos e Alex Sandro; Wallyson (Lima) e Rafael Moura.
Técnico: Geninho

Cianorte 0
Marcelo; Lisa, Diego, Valdir e Diego Gaúcho; Macula, Amaral, Dill (Fabinho), Felipe (Maxwell) e Vinícius(Indinho); Neílson.
Técnico: Ivo Secchi

Árbitro: Antônio Denival de Moraes
Estádio: Arena da Baixada
Gols: Wesley, aos 47 minutos do 1º tempo; Rafael Moura, aos 4 do 2º tempo

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