Curitiba - Com apenas 28 pontos, o Atlético tem apenas um ponto a mais que o lanterna Fluminense e vive uma crise (ainda que negada) técnica e de estabilidade emocional. Mesmo com esses ingredientes, não está na pauta do clube a contratação de um psicólogo para auxiliar o time nas próximas rodadas.
A má campanha influenciou o presidente do Conselho Gestor, João Augusto Fleury da Rocha, que declarou nesta semana que disputar a Segunda Divisão ''não seria vergonha''. A frase foi recebida com frieza pelos atletas e pelo técnico Geninho, que minimizou o depoimento. ''Não acho que o presidente quis dizer que a queda do Atlético é uma coisa natural, ele quis dizer que a queda do Atlético não seria o fim do Atlético''.
Apesar disso, o psicólogo do esporte Gilberto Gaertner disse que um trabalho planejado poderia dar resultados positivos. ''É uma situação muito delicada, ainda mais quando começa o esfacelamento do grupo, o que representa um sintoma a mais disso. Nesse caso, no final de uma temporada, sem um conhecimento melhor dos atletas e da situação, seria difícil um trabalho''.
Em sua passagem pelo Rubro-Negro, ele lembra que em 2005 um diretor do clube colocou em xeque a capacidade do elenco na disputa da Copa Libertadores da América ao dizer: ''Acham que o Atlético vai ganhar a Libertadores?''. O time chegou ao vice-campeonato e deixou de disputar a final contra o São Paulo em casa por não ter preparado o estádio dentro das normas exigidas pela Conmebol, talvez pelo descrédito da diretoria de que o clube fosse longe.
''Nós utilizamos a frase que ele (diretor) falou e aquilo serviu como um motivador para todos, mas era uma situação diferente. A competição estava começando, o grupo estava fechado mesmo com vitórias e derrotas, diferente do que acontece agora'', afirmou.
Doutor em Psicologia do Esporte, o professor Ricardo Coelho disse que seria necessário traçar um perfil de cada atleta, para saber quem cresce mais nos momentos de pressão, quem está mais capacitado para exercer liderança. ''Mas isso exige planejamento'', disse. A declaração de Fleury passa, segundo Coelho, uma carga ainda maior de stress e ameaça. ''São fatores externos que colocam em dúvida a competência do grupo, geram ainda mais stress e aumentam a agressividade, pois cada um começa a pensar somente em si e o sentido de grupo desaparece'', afirmou.

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