Atlético contrata Aguilera
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terça-feira, 15 de setembro de 1998
Edmundo Inagaki 
O volante paraguaio Edgar Aguilera, 23 anos, contratado por empréstimo, até o final do ano, junto ao Cerro Corá (Assunção), é o novo reforço do Atlético Paranaense. O jogador, de 1,78 metro de altura e 74 quilos, foi apresentado ontem à tarde, no Centro de Treinamento do Caju.
Reserva da seleção paraguaia na Copa do Mundo da França, Aguilera chega ao rubro-negro com o preço do passe fixado. O valor não foi divulgado.
Não atuei em nenhum jogo da Copa, pois os titulares eram Benitez e Enciso. Mas estive presente em vários amistosos. Foi uma experiência importante participar do Mundial e espero poder utilizar esse aprendizado aqui no Atlético, explicou o jogador.
Como amador, Aguilera iniciou a carreira na equipe do Universo Vieda. Em 91, passou a defender o Cerro Corá, onde foi profissionalizado. Estava disputando o Campeonato Paraguaio. Depois de jogar no domingo, viajei com meu procurador (Benitez, ex-goleiro do Inter e Palmeiras) para o Rio de Janeiro e depois para cá. O futebol brasileiro é muito competitivo e vou dar tudo para ajudar meu novo clube.
Aguilera admite que seu ponto forte é a marcação, embora tenha condições de apoiar o ataque quando necessário. Minha característica é mais destrutiva. Gosto de marcar. Mas se o treinador quiser, posso avançar e colaborar com os atacantes.
O meio-campista garante que não vai faltar raça e garra dentro de campo. Somos latino-americanos e temos uma maneira diferente de jogar. Desde as categorias de base, aprendemos a marcar forte, sem utilizar a violência. Na Copa do Mundo, por exemplo, o Paraguai não precisou bater para segurar os adversários. No Campeonato Brasileiro, o zagueiro Gamarra, do Corinthians, passou vários jogos, sem cometer faltas, encerrou Aguilera.
A departamento de futebol do Atlético trabalha em ritmo acelerado para regularizar a documentação de Aguilera na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Como é estrangeiro, ele necessita de uma autorização especial do governo brasileiro para poder trabalhar legalmente no país.
Amanhã à tarde, no CT do Caju, o Atlético faz um jogo-treino contra o time do Guaratuba, que disputa a terceira divisão do Campeonato Paranaense.
Para o técnico João Carlos Costa, o jogo-treino simula melhor as condições de uma partida que o treino coletivo. Podemos observar melhor o comportamento dos jogadores nesse tipo de movimentação. Treinando coletivamente, o desempenho nem sempre é o desejado. Pedi para a diretoria marcar um outro jogo-treino no sábado, mas não sei isso será possível.
O treinador reconhece a urgência de somar os nove pontos nos próximos três jogos em casa - contra Guarani, Bragantino e Botafogo, respectivamente. Se conseguirmos vencer as três partidas, teremos condições de respirar e passar a uma condição intermediária na classificação. Com 18 pontos, estaremos no pelotão intermediário.
Segundo Costa, o moral do grupo não está abalado com a má campanha no Brasileiro. Se você analisar nossos dois últimos jogos, verá que marcamos cinco gols. Tudo bem que foi uma vitória e uma derrota, mas vejo isso como uma evolução. O grupo está bem, tranquilo, só que infelizmente não estamos convertendo boas atuações e vitórias.


