Vivendo na ‘‘zona de perigo’’ do rebaixamento, o Atlético tenta encontrar uma explicação para a má fase. Em 27 pontos disputados até agora (nove jogos), o rubro-negro somou apenas seis (seis empates e três derrotas) - média de 22% de aproveitamento. Entre os jogadores, a falta de sorte é o argumento mais lembrado para justificar o 23º e penúltimo lugar na classificação do Campeonato Brasileiro. Supersticiosos, alguns atletas evitam pronunciar a palavra azar. ‘‘Estamos fazendo de tudo para acertar, mas a bola insiste em não entrar no gol. É incrível como as coisas não estão dando certo para gente’’, afirma Paulo Miranda.
Preocupado com a situação, o diretor-técnico Antônio Clemente está promovendo uma espécie de ‘‘dinâmica de grupo’’, reunindo três ou quatro jogadores de cada vez para uma conversa reservada. ‘‘Ao invés de fazer uma palestra, reunindo de uma só vez todo o elenco, preferimos adotar um método diferenciado. O aproveitamento é bem maior, sem aquela dispersão habitual.’’
Garantindo fazer uma análise fria da situação, Clemente diz que a ausência de vitórias não afetou o lado emocional dos jogadores. ‘‘Procuramos, na medida do possível, mostrar a situação real, de uma maneira simples para que eles possam entender. O problema não é falta de motivação. Temos que manter a tranquilidade, pois todos passam por dificuldades no trabalho. O importante é que os jogadores estão motivados e buscando a vitória. O momento ruim faz parte do futebol.’’
O novo regulamento da competição, que prevê o rebaixamento para o Brasileiro do ano 2000 dos quatro clubes com piores médias de pontuação nas edições deste ano e do ano que vem, não assusta Clemente. ‘‘O campeonato é muito dinâmico. Não estamos bem agora, mas se vencermos nossos dois próximos jogos (Paraná e Goiás) e somarmos seis pontos aos seis que temos, sairemos das últimas colocações. O tempo é curto e só precisamos de paz para trabalhar. Sinto que as coisas estão evoluindo, o ambiente é bom e o grupo já demonstrou que tem jogadores de qualidade. A torcida está insatisfeita, raciocinando com o coração e não com a razão; no entanto, uma vitória vai modificar as coisas da noite para o dia.’’
Na opinião do diretor-técnico, o atraso no pagamento de ‘‘bichos’’ e salário não está afetando o rendimento do time. ‘‘Os jogadores sabem que o clube dá plenas condições de trabalho. Todos recebem bons ordenados, contam com todo tipo de assistência e da melhor qualidade. É claro que quem trabalha tem que receber e hoje (ontem) o salário do mês foi pago. Não acredito que haja algum tipo de relação entre a nossa má campanha e a questão financeira.’’
Fundamentos - A partir desta semana, Clemente e o técnico João Carlos Costa vão intensificar a carga de trabalho dos atletas. ‘‘Pretendemos corrigir uma série de fundamentos, melhorando a qualidade específica de cada jogador. Alguns cuidadarão da parte técnica, outros da parte física’’, explicou.
O time volta a treinar hoje em dois períodos no Centro de Treinamento do Caju. O volante Wilson, que recebeu o terceiro cartão amarelo contra o Juventude, cumpre suspensão automática contra o Paraná, no domingo.Albari RosaPapo-cabeçaO técnico João Carlos orienta o lateral contra o Juventude: conversas reservadas tentam fazer time reagirEdmundo Inagaki

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