Curitiba - Em jogo de rivalidade acerbada, o Atlético quer fazer valer o mando de campo e bater os reservas do São Paulo, às 16 horas, na Arena. Contra a equipe que merece o status de inimigo público número um desde a final da Libertadores de 2005 – e principalmente pelas polêmicas contratações de Aloísio, Dagoberto e mais recentemente Jancarlos – o Furacão quer cumprir à risca a receita estipulada por Ney Franco para ir bem no Brasileirão: manter 100% de aproveitamento em seus domínios.
  Para iniciar a desejada série de triunfos caseiros, o técnico atleticano mexe em dois setores da equipe. Na defesa pela necessidade de substituir o capitão Antônio Carlos, vetado pela forte torção do tornozelo diante do Ipatinga. E no ataque para tentar resolver a queda de produção que teve início na fase final do Paranaense. A solução encontrada pelo técnico foi sacar Willian, que não consegue se firmar entre os titulares.
  Assim, em relação à equipe que trouxe três pontos importantes de Minas Gerais na primeira rodada, o Atlético terá duas novidades. A primeira será o zagueiro Alex Fraga, substituto habitual dos integrantes do trio defensivo – Fahel, que atuou como terceiro zagueiro em Ipatinga, chegou a ser cogitado como titular, mas deve ficar no banco ou talvez nem isso, já que sua situação contratual é questionada pela CBF (o que pode resultar na perda de seis pontos pela utilização do atleta na estréia da competição).
  A outra mudança ainda não está definida, já que Franco testou a equipe com duas formações diferentes, com Pedro Oldoni e Rogerinho se revezando no ataque, ao lado de Marcelo Ramos. Dependendo da decisão final do treinador, o Furacão ganha em presença de área ou em velocidade. Independente da tática adotada, a idéia é explorar a provável falta de entrosamento da defesa adversária, formada por jogadores pouco aproveitados por Muricy Ramalho.
Clima de guerra
  Além de definir sua equipe, o técnico atleticano preocupa-se em ‘‘esvaziar’’ o clima de guerra entre os dois times. ‘‘Todos os jogos de Campeonato Brasileiro têm uma rivalidade sadia. Eu, como treinador, tenho que me preocupar em armar o time para ter uma boa atuação técnica, tática e emocional’’, afirma.
  Apesar deste discurso conciliador, a partida não pode ser considerada como normal e a pressão do torcedor atleticano deve ser grande. E como o São Paulo aposta em um time formado por reservas e jovens da categoria de base, o principal alvo da fúria da torcida será o atacante Aloísio. Único dos atletas que – de acordo com a diretoria atleticana – foram aliciados pelo clube paulista a ir a campo hoje, já que Dagoberto, que também não participou do último duelo na Arena, e Jancarlos serão poupados.
  Mesmo recheado de reservas, o São Paulo tenta demonstrar porque é considerado um dos clubes com elenco mais qualificado do futebol brasileiro. Fato que a escalação de atletas como os atacantes Borges e Aloísio tenta comprovar. mas que perde força pela presença dos inexperientes Aislan e Alex Cazumba compondo a linha defensiva.
  A decisão do técnico são-paulino é apoiada inclusive pelos atletas poupados. ‘‘Nesse momento decisivo é importante que todos estejam 100% fisicamente para o jogo de volta (da Libertadores, contra o Fluminense). Mas tenho certeza que o time que for escalado tem totais condições de trazer um bom resultado’’, afirma Zé Luis.

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