Curitiba - O Atlético resolveu abrir o seu livro caixa e admitiu ontem, em entrevista coletiva na Arena da Baixada, em Curitiba, uma dívida total de R$ 25 milhões. Apesar disso, o presidente do Conselho Administrativo do Atlético, Marcos Malucelli, disse que esse valor está sob controle, ''pois a dívida não tem débito vencido e não pago'', afirmou. A abertura das contas foi uma forma encontrada pela diretoria para rebater as críticas recebidas por ex-aliados, entre eles, o ex-presidente Maria Celso Petraglia.
Entre as dívidas consolidadas estão R$ 2,5 milhões com bancos, além de R$ 3,6 de adiantamentos da Rede Globo e outras relativas a direitos econômicos devidos a empresários e jogadores que atingem R$ 1,8 milhões. A esse total de aproximadamente R$ 8 milhões, juntam-se outros de R$ 4,5 milhões com a Caixa Econômica Federal, R$ 5,4 milhões com o PSTC, clube parceiro que ajudou na revelação de Dagoberto e Guilherme e mais R$ 5,2 milhões relativos a tributos com a União que deverão ser pagos em até três anos.
Sobre o empréstimo da Caixa, trata-se de verba carimbada que servirá para a construção da reta da arquibancada. ''Esse valor eu considero um investimento, pois estamos agregando valor ao clube, pois ao final da obra teremos mais 4,7 mil novas cadeiras, sendo que duas mil já foram vendidas''.
O débito com o clube PSTC, segundo Malucelli, deverá ser saldado com o dinheiro depositado em juízo, que atingiu R$ 6,2 milhões. O dinheiro faz parte da participação do clube que ajudou na formação de Guilherme e de Dagoberto. ''O valor depositado já pode saldar a dívida, pois temos o valor, vamos esperar apenas a liberação dos recursos''.
Para manter sua estrutura, o clube dispende R$ 45 milhões anuais. Neste ano está prevista uma arrecadação de R$ 17 milhões, originada do lucro de R$ 10 milhões com a participação dos torcedores e vendas de cadeiras e outros R$ 7 milhões com eventos, vendas de material e propaganda na manga da camisa. A TV colabora com outros R$ 12 milhões. ''Se não arrecadarmos mais R$ 17 milhões iremos terminar o ano novamente com déficit. Para isso, estamos tentando a busca de um novo parceiro e patrocinador desde que a Kyocera saiu'', afirmou.
Outra medida tomada pela diretoria foi o enxugamento do elenco e a redução de 25% na folha de pagamento. Atualmente o técnico Geninho tem 29 jogadores para trabalhar, em um grupo que esteve em 57 atletas. Nove jogadores continuam treinando separadamente e estão prontos para serem negociados. O restante foi emprestado para outras equipes.
Apesar da situação, Malucelli descarta aplicar a estratégia do ''bom e barato''. '' Não pensamos nisso, pois esse barato pode sair muito caro e queremos ter uma equipe forte, competitiva, que se ajuste bem dentro da filoosofia da comissão técnica. Queremos vencer todas as competições que participarmos'', concluiu.

mockup