Atlético admite dívida de R$ 25 milhões
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Julio Cesar Lima<br> Equipe da Folha 
O Atlético resolveu abrir o seu livro caixa e admitiu ontem, em entrevista coletiva na Arena da Baixada, uma dívida total de R$ 25 milhões. Apesar disso, o presidente do Conselho Administrativo do clube, Marcos Malucelli, disse que esse valor está sob controle, "pois a dívida não tem débito vencido e não pago", afirmou. A abertura das contas foi uma forma encontrada pela diretoria para rebater as críticas recebidas de ex-aliados, entre eles, o ex-presidente Mario Celso Petraglia.
Entre as dívidas consolidadas estão R$ 2,5 milhões com bancos, além de R$ 3,6 milhões de adiantamentos da Rede Globo e outras, relativas a direitos econômicos devidos a empresários e jogadores, que atingem R$ 1,8 milhões. A isso, juntam-se outros de R$ 4,5 milhões com a Caixa Econômica Federal (CEF), R$ 5,4 milhões com o PSTC, clube parceiro que ajudou na revelação de Dagoberto e Guilherme, e mais R$ 5,2 milhões relativos a tributos com a União, que deverão ser pagos em até três anos.
Sobre o empréstimo da CEF, trata-se de verba carimbada que servirá para a construção da reta da arquibancada da Arena. "Esse valor eu considero um investimento, pois estamos agregando valor ao clube, pois ao final da obra teremos mais 4,7 mil novas cadeiras, sendo que duas mil já foram vendidas".
O débito com o PSTC, segundo Malucelli, deverá ser saldado com o dinheiro depositado em juízo, que atingiu R$ 6,2 milhões. A quantia faz parte da participação do clube que ajudou na formação de Guilherme e de Dagoberto. "O valor depositado já pode saldar a dívida, pois temos o valor, vamos esperar apenas a liberação dos recursos".
Para manter sua estrutura, o clube dispende R$ 45 milhões anuais. Em 2009, está prevista uma arrecadação de R$ 17 milhões, originada do lucro de R$ 10 milhões com a participação dos torcedores e vendas de cadeiras e outros R$ 7 milhões com eventos, vendas de material e propaganda na manga da camisa. A TV colabora com outros R$ 12 milhões. "Se não arrecadarmos mais R$ 17 milhões, iremos terminar o ano novamente com déficit. Para isso, estamos tentando a busca de um novo parceiro e patrocinador desde que a Kyocera saiu", afirmou.
Outra medida foi o enxugamento do elenco e a redução de 25% na folha de pagamento. Atualmente, o técnico Geninho tem 29 jogadores para trabalhar, em um grupo que esteve com 57 atletas. Nove jogadores continuam treinando separadamente e devem ser negociados. O restante já foi emprestado.
Apesar da situação, Malucelli descarta aplicar a estratégia do "bom e barato". "Não pensamos nisso, pois esse barato pode sair muito caro e queremos ter uma equipe forte, competitiva, que se ajuste bem dentro da filosofia da comissão técnica. Queremos vencer todas as competições que participarmos", concluiu.


