Curitiba - Nem mesmo o mais pessimista dos atleticanos previa que o time perderia de goleada, até porque boa marcação e raça foram as grandes qualidades do Furacão nos jogos que antecederam a partida final contra o São Paulo. Porém, após o apito final, todos reconheceram a superioridade técnica do Tricolor paulista e a boa campanha da única equipe paranaense que chegou à decisão da Libertadores.
O primeiro gol tricolor não chegou a desesperar os rubro-negros. Mas o pênalti perdido por Fabrício certamente foi um golpe duro, pois a maioria sabia que a maior chance do Atlético empatar seria de bola parada, já que o adversário era muito mais perigoso. A situação ficou ainda pior quando Fabão ampliou e, minutos depois, Luizão fez o terceiro e chorou.
Theo Marques, atleticano de 28 anos, esbravejou para a namorada são-paulina, Roberta Bernini, 24. ''Olha lá, falei que o Luizão estava impedido'', ao comentar a repetição da jogada pela tevê. ''Quem perde pênalti não pode reclamar'', alfinetou a garota.
O São Paulo seguiu melhor e as provocações continuaram. ''Ah... É bom ter uma história para lembrar, né?'', pensou alto Roberta. Em seguida veio o quarto gol, marcado por Diego Tardelli, que consolidou a goleada e o título. ''Vou dormir no sofá hoje'', comentou Theo ao contemplar o largo sorriso da namorada tricolor.
Ao final do jogo, a única são-paulina presente numa sala cheia de atleticanos, aproveitou para tirar um sarrinho. ''Na verdade, não tinha dúvidas, tentei falar para o Theo. Não tive medo em momento algum porque o São Paulo jogou melhor.'' Para o atleticano, o time perdeu porque atuou pior, principalmente no primeiro tempo. ''Eles melhoraram no segundo tempo mas não souberam finalizar. Esse ano a gente não teve um Washington, um Oséas. Tem o Evandro, que é igual o Robinho no começo. Pedala mas não faz gol'', refletiu Marques.
A atleticana Rachel Bragatto, 25, que também acompanhava a partida junto do casal de namorados, fez questão de exaltar a campanha de seu time. O misto de orgulho com tristeza ilustra a sensação da maioria dos rubro-negros após o jogo. ''O Atlético tem o seu valor e é o primeiro paranaense a chegar numa final de Libertadores'', destacou Rachel.
O sentimento de Rachel foi o mesmo manifestado pelos cerca de oito mil atleticanos que, mesmo enfrentando baixas temperaturas, foram prestigiar a equipe na Kyocera Arena, onde foram instalados telões para a transmissão do jogo. Ao final, restou muito choro mas sobraram aplausos ao valente grupo do Atlético, vice-campeão sul-americano.

mockup