Você se imagina acordando três vezes por semana às 5 da madrugada para iniciar às 6 horas um trabalho de musculação e alongamento até às 7h30? E se imagina depois disso, encarando seu trabalho normal até às 19 horas para, em seguida, cair na piscina para nadar diariamente nada menos que 2,5 mil metros? Se você acha que é uma tarefa estafante e que exige dose extra de disposição, irá se surpreender quando souber que essa é a rotina de um senhor de 71 anos, de Londrina, que durante 44 anos ainda se dedicou ao futebol e ao futsal.
Trata-se do advogado Floriano Yabe, amante de vários esportes e exemplo de dedicação para qualquer jovem ou adolescente que se queixa de indisposição para fazer uma atividade física diária.
Avô do nadador olímpico Diogo Yabe, que mora nos Estados Unidos e é presença certa na prova dos 200m medley no Pan do Rio-2007, 'seo' Floriano ainda está na ativa e participa de diversas competições nacionais e internacionais na sua categoria (71/75 anos). Já disputou Mundiais e Olimpíadas para atletas master e em sua casa exibe mais de 200 medalhas conquistadas somente na natação.
A receita para tamanha longevidade no esporte é sempre praticar uma modalidade por prazer. ''Nunca me preocupo antes das competições nem fico tenso, como outros colegas, porque faço o que gosto'', conta Floriano, fazendo, porém, uma confissão: ''Na verdade, tenho que admitir, eu não gosto de natação. Minha paixão é o futebol, mas como não deu mais para jogar bola depois que estourei o joelho, em 1990, foi o esporte que me restou (a natação). Só o que me mantém nadando são as competições, porque gosto muito de competir'', relata.
O advogado, que mantém religiosamente a sua rotina no escritório há 43 anos, conta que jogou bola dos 11 aos 55 anos. ''Em 1950, com uns 15 anos, comecei no varzeano (Campeonato Amador), jogando pelo Grêmio da Vila Nova, um dos primeiros times de Londrina. Depois passei pelo Bonsucesso, da Vila Higienópolis. No total, foram 30 anos jogando no varzeano e só nestes dois times'', recorda Floriano.
Como só o futebol de fim de semana não bastava, Floriano decidiu reunir também uma turma de futsal, por volta de 1960, que jogou durante 25 anos. Além do longo período de união, o mais interesante do grupo era o horário em que batia bola, no Ginásio do Canadá Country Club: das 5h30 às 7 horas. ''Jogávamos de madrugada porque todo mundo tinha que trabalhar depois. Foi o único horário que encontramos. Lembro que nestes 25 anos fui o responsável por acordar o pessoal. Acordava às 4h45, antes do galo cantar, e pegava o telefone'', lembra.
Na natação, modalidade em que iniciou após a cirugia no joelho, Floriano se dedica o quanto pode e já participou de 14 Sul-Americanos Master, tendo conquistado 17 medalhas, sendo 60% de ouro. Apesar de nadar diariamente, seu médico o orientou, há quatro meses, a iniciar também alongamento e musculação. ''Nessa idade a gente precisa fazer fortalecimento muscular. Sei que não vou virar nenhum Schwarzenegger japonês, mas minha performance na natação já está bem melhor'', disse ele, às gargalhadas.

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