Vida de atleta profissional é árdua e muitas vezes dolorosa. Para se obter destaque dentro de sua modalidade é necessário que o esportista se entregue de forma completa aos treinamentos. Mas muitos não ficam satisfeitos em ''apenas'' serem destaques no esporte.
Preocupados com o futuro após a aposentadoria das arenas esportivas, os atletas se desdobram para conciliar treinos, jogos e viagens com os estudos em universidades. Em alguns casos, além de estudar e treinar, os atletas conseguem tempo extra para um trabalho paralelo, a fim de aumentar a renda familiar.
Quando se trata de um atleta de alto nível, muitas vezes o estudo é relegado a segundo plano. Afinal, o esporte é a prioridade, a fonte de renda. Na maioria das vezes, o atleta não tem o ''direito'' de escolher entre a sala de aula ou os treinos, pois seu ganha-pão vem do esporte.
Para os atletas é algo rotineiro ter que procurar professores e amigos de classe em busca do conteúdo perdido. As faltas na sala de aula os obrigam a uma dedicação extra para não ver interrompido o sonho de se tornar um profissional de educação física, na maioria das vezes, ou de outra profissão que lhe garantirá um futuro mais promissor.
Para sorte desses atletas e uma questão de justiça, uma lei federal os protege, quando faltam na universidade por causa das competições. A lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, garante abono das faltas escolares em caso de convocação para defender equipes municipais, estaduais ou federais.
Superação - A goleira Glau, do time de futsal feminino da Unopar, é um exemplo de superação e dedicação aos estudos, sem perda do potencial esportivo. Seu rendimento no curso de Educação Física é elogiado, inclusive, pelos professores, que reconhecem seu esforço para conciliar estudos com treinos e trabalho. Isso mesmo. Não bastasse treinar à tarde e estudar à noite, Glau ainda consegue tempo para trabalhar como babá pela manhã. ''É difícil, bem puxado. Tem dias que estou esgotada, mas tenho a vantagem de gostar de tudo que faço'', garantiu.
O fato de trabalhar pela manhã a obriga a realizar o treino físico na academia no início da tarde, junto com as duas outras goleiras do time - Néia e Bianca - que estudam no período matutino. No final da tarde participa do treino de quadra e à noite se dedica ao estudo, algo de que não abre mão. ''Estou realizando um sonho de fazer uma faculdade. Está sendo muito bom'', comenta.
Outra jogadora do time de futsal feminino enfrenta um pouco mais de dificuldades para conciliar faculdade e treinos. A ala Naná, uma das mais talentosas do time, reconhece que já perdeu disciplinas por causa dos treinos, viagens e jogos. ''Os professores nos ajudam muito. Mas é muito difícil. Tem dia que não consigo nem comer entre o treino e a faculdade'', conta.
A professora das disciplinas de Voleibol e Aptidão Física da Unopar, Ivomary Ramos da Silva, elogia as atletas que estudam na universidade. Segundo ela, ''todas são muito dedicadas, correm atrás do conteúdo perdido em sala de aula e conseguem superar as adversidades''.
Ela usou como exemplo a campeã mundial de taekwondo, Natália Falavigna, que por conta das viagens ao exterior é impedida de assistir à maioria das aulas. ''Mesmo assim, ela consegue acompanhar a turma. É muito dedicada'', ressalta.
Natália confirma que precisa de um esforço extra para não perder o semestre escolar. ''Quando viajo eu entro em contato com a coordenação do curso e com os professores. Além disso faço um plano de estudos e, em alguns casos, faço os trabalhos e envio pela internet'', concluiu a atleta.

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