Curitiba - Oito segundos podem ser muito ou pouco tempo, depende do ponto de vista, principalmente no esporte. No futebol, é nada. No basquete, é suficiente para uma virada no placar. Nos esportes de velocidade é muito. Para uma classe de atletas, em especial, 8 segundos representam uma eternidade. É o tempo que o peão precisa aguentar em cima do touro, que pula e gira de um lado para o outro tentando derrubá-lo.
''De fora parece que é pouco tempo, mas em cima do boi é muito tempo, parece que não passa'', afirmou o tricampeão brasileiro do Professional Bull Riders (PBR), Elton Cide, de 31 anos, vencedor da etapa de Curitiba, disputada neste último final de semana.
Elton é um dos mais bem sucedidos peões brasileiros da atualidade. Paulista da pequena Populina, ele passou a temporada 2011 nos Estados Unidos, disputando a final mundial do PBR, que teve seu ápice no fim de outubro, em Las Vegas. Cide conseguiu vencer a etapa de Austin e gostou do tratamento de celebridade recebido por lá.
''O povo parava a gente na rua para pedir autógrafo, tirar foto. Nossos patrocinadores nos convocavam para sessões de autógrafos e ficávamos até duas horas atendendo o público. Os brasileiros dominam e eles (os americanos), gostam demais da gente'', contou Cide. A etapa de Curitiba foi a primeira que ele disputou no ano, já que estava nos Estados Unidos.
Ao contrário dos atletas de outras modalidades que têm seus salários e buscam medalhas e trofeus como prêmios, os peões competem de olho na fivela de campeão e, consequentemente, no prêmio financeiro, seja em dinheiro ou em bens, como motos e carros. O vencedor da temporada do PBR, por exemplo, além dos prêmios das etapas, leva para a casa a bolada de R$ 1 milhão.
Londrina terá papel decisivo para definir quem será o novo milionário do mundo dos rodeios. A cidade recebe neste final de semana o Top 40 do Brahma Super Bull PBR é a última etapa antes da grande final, que será ainda neste mês, em Cajamar-SP. Dois peões chegam emparelhados na classificação para as disputas londrinenses.
Eduardo Aparecido Silva não foi bem em Curitiba e viu a diferença para o segundo colocado cair para 97,50, menos do que duas montarias. Edevaldo Ferreira parou em quatro touros na etapa. Por ter entrado na final e ter ficado em quarto na etapa, o maior colecionador de títulos da PBR esquentou esta briga.
''Londrina será o começo da final. Será uma etapa muito importante'', afirmou Ferreira. Questionado se já tem planos para o R$ 1 milhão que pode ganhar, ele disse que tem outra preocupação por enquanto. ''Primeiro estou pensando em como ganhar esse milhão'', brincou.
Preparação
Para chegar ao título, o peão tem que suar muito. Não basta 'apenas' sentar no lombo do touro e aguentar firme os 8 segundos. É preciso uma preparação rígida, de atleta mesmo, para estar entre os melhores. Quem não vence a batalha com o boi em todas as montarias da etapa, dificilmente consegue ser o primeiro ao final dela, já que o campeão é o peão que soma o maior número de pontos em todas as montarias.
Nesta vida de atleta - regulamentanda pela Lei 10.220, de 11 de abril de 2001 -, uns são mais rigorosos, outros nem tanto. Os peões treinam nas fazendas onde geralmente trabalham na lida com cavalo, seja domando, seja trabalhando. Montar em cavalo é importante porque ajuda no equilíbrio e na preparação física. ''Com rodeio toda semana, não dá tempo para treinar. Quando dá, treino no cavalo'', contou o londrinense Edgar Lázaro, de 29 anos, finalista em Las Vegas em 2005, que ficou de fora da final em Curitiba, mas quer triunfar em casa.
Já Cide se dedica mais à preparação física. ''Treino duas vezes na semana. Faço pilates e preparação física, além de trabalho com fisioterapeuta. Minha noiva é nutricionista, mas não sigo muito não'', relatou.
* O jornalista viajou a convite da organização da PBR.

Atletas duros na queda
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