De 8 a 11 de novembro, cerca de 280 atletas participam do Campeonato Sul-Americano de Badminton Junior, em Lima, no Peru. Entre os representantes do Brasil, a londrinense Leticia Fiori disputa, pela primeira vez, uma competição internacional.
Leticia irá competir na modalidade de dupla feminina, junto com a atleta de Arapongas, Rafaela Ferreira, que também faz sua estreia fora do país. Juntas, elas obtiveram resultados suficientes, ao longo dos últimos 12 meses, para chegar à terceira posição do ranking da Confederação Brasileira de Badminton, colocação que garantiu as meninas na competição internacional.
Mesmo com todo o talento no esporte, Leticia lembra que a notícia da classificação foi algo difícil de acreditar. "Eu olhei no site e não acreditava, depois fiquei entrando outras vezes para ver se era verdade mesmo", declara.
A menina treina em Londrina, com o técnico e pai, Adriano Fiori, que intensificou a preparação da filha nos últimos dias. Ele acredita que a atleta tem boas chances de voltar de Lima com uma medalha. "Ela já vem de competições importantes, com bons resultados e está bem preparada. Acho que pode vir alguma medalha para Londrina sim", declara Fiori.
Além da estreia internacional, Leticia terá o desafio de competir, pela primeira vez, sem a presença do pai, que estará em Fortaleza ministrando um curso para treinadores da modalidade. "Vai ser uma experiência nova, pois não vou ter ele ao lado para me apoiar", afirma Leticia. Para o paizão coruja e técnico dedicado, a experiência também vai ser difícil, mas Fiori concorda que será, igualmente, importante. "É difícil, acompanho ela desde os 9 anos. Fico angustiado, mas em competições internacionais nem sempre poderei estar junto. Vida de atleta é assim".
Além de pai e treinador, Fiori tem mais uma série de responsabilidades com relação à atleta. Como a busca por patrocínio, algo que ele destaca como uma das maiores dificuldades. Atualmente, Leticia recebe Bolsa-Atleta do Governo Estadual, um recurso importante, mas não suficiente, por exemplo, para cobrir as despesas da viagem ao Peru. "Usamos o dinheiro da bolsa para comprar parte da passagem e parcelamos o restante, só que ainda temos que ver a questão de hotel, por exemplo. O problema é que os projetos de patrocínio geralmente são voltados para modalidades com apelo de massa", avalia Fiori.
A falta de patrocínio também afeta a outra integrante da dupla, Rafaela Ferreira, que treina no Sesi/Senai de Arapongas. "O Sesi vai pagar as passagens, mas estamos em busca de patrocínio para hotelaria e alimentação", afirma o técnico Anderson dos Santos.
Ele também vem intensificando o treinamento da atleta, que, além de competir junto com Leticia, irá disputar a competição na dupla mista, com o primo Evandro Vicente, outro atleta do Sesi. Os dois ficaram em quarto lugar no ranking nacional.
Rafaela só encontra Leticia às vesperas da competição, já que cada uma treina em sua cidade. Mas isso não é problema para as meninas, que em setembro conquistaram a prata nas Olimpíadas Escolares e já competem juntas há um ano e meio. "Ela já conhece meu jogo e eu o dela, a gente se entrosa bem. Além disso somos melhores amigas", finaliza Leticia.

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