Atletas da seleção apóiam leão
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segunda-feira, 08 de setembro de 1997
Agência Estado 
O adversário da vez é o Equador, mas o marcador implacável é a Receita Federal. Mesmo tendo a vida devassada pelo Fisco, os jogadores da seleção brasileira disseram ontem que apóiam a fiscalização que está sendo feita pelo órgão em seus principais colegas de classe. A única restrição partiu do zagueiro Júnior Baiano, do Flamengo. Segundo ele, embora correta, a atuação da Receita não poderia ser centralizada nos craques do futebol. Ela tem de pegar é deputado federal, disse.
Para Júnior Baiano, jogador de futebol trabalha muito e tem uma carreira curta, ao contrário dos parlamentes, que, segundo ele, ganham dinheiro com mais facilidade. Na sua opinião, basta o Fisco investigar a vida de uns dez deputados.
O botafoguense Gonçalves tem um discurso politicamente correto. A Receita Federal tem de fiscalizar todas as classes e é lógico que nós, jogadores, por termos repercussão pública, somos mais visados. Ao seu ver, todo cidadão deve ser fiscalizado e os atletas do futebol não podem ficar à margem desse processo.
O meia Emerson, do Bayer Leverkussen, da Alemanha, disse que está em dia com o Fisco e que considera correta a atuação da Receita. O centroavante Christian, do Inter-RS, convocado pela primeira vez para a seleção, defendeu punição para quem sonegar. O lateral-esquerdo Zé Roberto, do Real Madri, também não vê motivo para preocupação. Todo cidadão tem de declarar Imposto de Renda.
O técnico Zagallo, que tem uma aposentadoria de R$ 500,00, como autônomo, mas recebe cerca de R$ 50 mil por mês na seleção, afirma que todos devem explicações ao Fisco. Acho um absurdo que tenha atleta de alto nível que nunca declarou Imposto de Renda.
De acordo com a Receita, Edmundo, do Vasco, é um dos jogadores que estão em dívida com o Fisco, por nunca ter prestado contas de seus rendimentos. Ronaldinho, da Internazionale de Milão, e Romário, do Valencia, da Espanha, são outros craques que enfrentam problemas. A empresa de Romário, a RSF (iniciais de Romário de Souza Farias) teria sido multada em R$ 2 milhões. A CBF mandou elaborar uma cartilha para orientar os jogadores sobre como declarar o Imposto de Renda.


