O adversário da vez é o Equador, mas o marcador implacável é a Receita Federal. Mesmo tendo a vida devassada pelo Fisco, os jogadores da seleção brasileira disseram ontem que apóiam a fiscalização que está sendo feita pelo órgão em seus principais colegas de classe. A única restrição partiu do zagueiro Júnior Baiano, do Flamengo. Segundo ele, embora correta, a atuação da Receita não poderia ser centralizada nos craques do futebol. ‘‘Ela tem de pegar é deputado federal’’, disse.
Para Júnior Baiano, jogador de futebol ‘‘trabalha muito e tem uma carreira curta’’, ao contrário dos parlamentes, que, segundo ele, ‘‘ganham dinheiro com mais facilidade’’. Na sua opinião, basta o Fisco investigar a vida de ‘‘uns dez deputados’’.
O botafoguense Gonçalves tem um discurso politicamente correto. ‘‘A Receita Federal tem de fiscalizar todas as classes e é lógico que nós, jogadores, por termos repercussão pública, somos mais visados.’’ Ao seu ver, todo cidadão deve ser fiscalizado e os atletas do futebol não podem ficar à margem desse processo.
O meia Emerson, do Bayer Leverkussen, da Alemanha, disse que está em dia com o Fisco e que considera correta a atuação da Receita. O centroavante Christian, do Inter-RS, convocado pela primeira vez para a seleção, defendeu punição para quem sonegar. O lateral-esquerdo Zé Roberto, do Real Madri, também não vê motivo para preocupação. ‘‘Todo cidadão tem de declarar Imposto de Renda.’’
O técnico Zagallo, que tem uma aposentadoria de R$ 500,00, como autônomo, mas recebe cerca de R$ 50 mil por mês na seleção, afirma que todos devem explicações ao Fisco. ‘‘Acho um absurdo que tenha atleta de alto nível que nunca declarou Imposto de Renda.’’
De acordo com a Receita, Edmundo, do Vasco, é um dos jogadores que estão em dívida com o Fisco, por nunca ter prestado contas de seus rendimentos. Ronaldinho, da Internazionale de Milão, e Romário, do Valencia, da Espanha, são outros craques que enfrentam problemas. A empresa de Romário, a RSF (iniciais de Romário de Souza Farias) teria sido multada em R$ 2 milhões. A CBF mandou elaborar uma cartilha para orientar os jogadores sobre como declarar o Imposto de Renda.

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