Atletas buscam oportunidades longe de casa
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domingo, 12 de fevereiro de 2012
João Fortes<br> Reportagem Local 
Entre importantes representantes do atletismo brasileiro, não é raro encontrar nomes londrinenses nos últimos anos. Mas, além do pé-vermelho, muitos desses atletas têm em comum o fato de terem deixado a cidade para buscar melhores oportunidades no esporte.
É o caso de Cleverson Oliveira da Silva, que até o ano passado competia em provas combinadas, como os 400 metros com barreira.
Ele lembra que antes de deixar Londrina já se destacava no esporte. Já havia participado de um Campeonato Mundial Juvenil, na Coreia do Sul, e conquistado títulos como dos campeonatos Brasileiro e Sul-Americano. Em 1993, recebeu uma proposta da BMF, uma das principais equipes nacionais de atletismo.
Como ainda cursava faculdade, passou a representar o clube, mas mantinha os treinos em Londrina. Até que em 1996 se mudou para São Paulo, sede da BMF. Foi então que notou uma grande diferença. ''A primeira mudança é a nível técnico. Os treinadores são muito mais preparados. Além disso, a estrutura, material, pista, não têm comparação. Sem contar que lá o pessoal tem contatos importantes, com os managers do esporte, por exemplo. Eu cheguei lá e logo comecei a disputar várias competições na Europa'', conta o atleta.
E os resultados do treinamento não demoraram a aparecer para Silva. ''Nesse meu primeiro ano já me classifiquei para as Olimpíadas de 1996 em Atlanta (EUA)'', relembra.
A participação na competição foi apenas o início de uma fase vitoriosa para o esportista. Ele foi medalhista em três campeonatos mundiais e conquistou o seu mais importante triunfo em 1999, uma medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no revezamento 4 x 400 m.
O atleta faz questão de ressaltar o quanto foi boa a sua formação de base em Londrina, mas que quando se trata do alto rendimento a melhor opção para os atletas é buscar oportunidades em outros estados. ''E não acho que isso seja uma coisa ruim, principalmente se o atleta tem uma base bem feita, como foi meu caso. Aqui ainda falta investir mais na formação dos técnicos. Além disso, eles não conseguem ser só treinadores. Têm que ir atrás de patrocínio também, por exemplo''.
Atualmente o atleta se dedica ao projeto social ''Desafiando Gigantes e Construindo Sonhos'', que atende cerca de 60 crianças em Londrina. Durante os treinos de atletismo para a molecada, ele já identifica promessas do esporte e faz questão de orientar sobre o caminho que ele considera o melhor para se dar bem no atletismo. ''Já têm uns 15 atletas que se destacam, que levo para a pista da UEL para treinar e incentivo eles a considerar oportunidades fora daqui, que possam surgir no futuro''.


