Atletas buscam alternativas para manter vivo o sonho do esporte
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segunda-feira, 11 de março de 2019

A maioria dos esportistas brasileiros não recebe o devido apoio para participar de competições e treinar e muitos dependem do chamado "paitrocínio", isto é, o custeio de todas as despesas pelos pais do atleta. No entanto, nem todas as famílias possuem condições de arcar com esses gastos. Os atletas de taekwondo Kauan e Rhuan dos Santos Lourenço, ambos de 14 anos, são um exemplo disso. Moradores do residencial Horizonte (zona norte de Londrina), os dois vendem geladinhos para bancar as viagens para participar de competições.
"Por viagem, a gente gasta em média mil reais, mas às vezes ultrapassa isso. Temos que pagar a inscrição, a passagem de ônibus, hospedagem e o que a gente vai comer lá", detalha Kauan. O investimento tem valido a pena. Ambos têm conquistado títulos nacionais e integrado a seleção brasileira. "Quando estou desmotivado, eu lembro de tudo o que passei para poder continuar. Passamos por dificuldades e, quando vem a vitória, ela chega com um gostinho a mais", relata Rhuan.
A lutadora londrinense de jiu-jitsu Mayara Custódio começou recentemente a chamar a atenção em um semáforo no bairro Água Verde, em Curitiba. De quimono, ela vende balas e recebe contribuições de motoristas sensibilizados com o projeto da atleta de continuar competindo no exterior e seguir progredindo na carreira, iniciada em 2014, ainda em Londrina.
"O treinamento é o meu trabalho", diz Mayara. "Não posso ficar oito horas dentro de um supermercado, como ficava antes, ou vou regredir. Então vou lá, vendo as balas neste horário, não atrapalho os meus treinos e consigo continuar trabalhando", explica.
Em Maringá, uma campanha de arrecadação de recursos tem como beneficiário o paratleta Adriano Correia Gonçalves dos Santos, 34 anos, medalhista de parabadminton em campeonatos regionais e nacionais. Ele possui uma prótese adquirida pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mas não é adequada para a prática esportiva.



