Cianorte - A sorridente Thaís Iapp, 15 anos, tem sido um dos focos de atenção do torneio de futsal dos 22º Jogos da Juventude do Paraná (Jojup's), que se encerram hoje em Cianorte. Não porque seja uma grande jogadora - é ala e às vezes atua improvisada de goleira-linha no time de Itaipulândia (Oeste do Estado) -, mas porque é bonita e tem contrato com sete agências de modelo que trabalham com adolescentes. Uma delas vai levá-la nos próximos dias a Gramado, na Serra Gaúcha, para desfilar para uma grife nacional. O corpo de atleta de Thaís e o biotipo de descendente de alemães ajuda: é magra e tem 1m72 de altura com apenas 15 anos.
Mas outro aspecto chama mais a atenção de quem está acompanhando o futsal em Cianorte: Thaís é surda. Isso mesmo, ela não escuta uma só palavra ou a reclamação das suas companheiras de equipe. Consequentemente, também não ouve o apito do juiz e às vezes segue uma jogada, quando ela já está parada. A única vantagem dessa história toda é que a bela modelo-jogadora fica poupada dos gritos do treinador à beira da quadra - o técnico é Lírio Levandoski Jr. -, que esbraveja quando suas comandadas não executam o que ele pede.
Tanto é que no momento em que Levandoski pede tempo, quem conversa com Thaís não é o treinador e sim a intérprete Ivanir Manteufel, que é paga pela Prefeitura de Itaipulândia para acompanhar a garota em todas as competições fora do município. ''É um programa de inclusão social que lá funciona. Sou professora do município e como já dei aulas em salas de surdos sou escalada para fazer esse trabalho quando ela viaja. E na escola em que a Thaís estuda tem outra professora do Estado que faz essa função de intérprete em sala de aula'', ressalta Ivanir.
Na vida pessoal Thaís garante que não enfrenta qualquer empecilho pelo fato de ser surda. ''Não atrapalha em nada. Aprendi a conviver com isso e as pessoas gostam de mim assim. Até para paquerar os meninos ou para o relacionamento na escola não tem qualquer problema'', disse Thaís, por meio de sinais à intérprete Ivanir.
Thaís conta que os pais ''dão a maior força'' para ela seguir uma possível carreira como modelo, que ela acredita dar mais futuro que o futsal. ''Jogo porque gosto muito de esporte, mas sei que vou ter que escolher outra profissão. Se for como modelo, ótimo'', gesticulou a garota usando a Libras (Língua Brasileira de Sinais).

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