Atleta foi um exemplo também fora das pistas
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de janeiro de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Além de atleta e patrono de projetos ligados ao esporte, Adhemar foi jornalista, relações públicas e advogado formado. Artista plástico, foi adido cultural da embaixada do Brasil na Nigéria, entre 1964 e 67. Foi colunista esportivo do jornal Última Hora. Nos anos 50, ainda, participou do filme Orfeu Negro, ganhador da Palma de Ouro, em Cannes. Em fins de 2000, foi escolhido pelo Ministério de Esportes e Turismo para atuar na Comissão Nacional de Atletas.
O ex-atleta falava inglês, francês, italiano e espanhol. Adhemar Ferreira da Silva dizia que era mais conhecido em outros países do que no Brasil. Por causa de seus feitos no esporte, o ex-atleta foi homenageado várias vezes em outros países, tendo até virado selo postal em alguns deles.
Como atleta, Adhemar Ferreira da Silva competiu pelo São Paulo Futebol Clube e pelo Clube de Regatas Vasco da Gama. Defendeu o Brasil nas Olimpíadas de Londres em 1948, em Helsinque em 1952, em Melbourne em 1956 e em Roma, em 1960. Foi campeão em Helsinque e bicampeão em Melbourne, onde conheceu uma pequena fã, a inglesa radicada na Austrália, Rosemay Mula. Por ocasião dos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, Rosmary e sua família, que agora moram em Sydney, fizeram uma grande festa para Adhemar.
Adhemar também foi tricampeão nos Jogos Pan-Americano de Buenos Aires em 1951, da Cidade do México em 1955 e em Chicago, em 1959.
Adhemar nasceu em 29 de setembro de 1927, em São Paulo. Como triplista, conseguiu saltar 15 metros em 1948. Em 1949 saltou duas vezes 15,51 metros. Em 1950, na pista do Clube Tietê, em São Paulo, saltou 16 metros em 3 de dezembro, igualando o recorde mundial que pertencia desde 1936, ao japonês Nato Tajima. Em 1951, no Rio de Janeiro, na pista do Fluminense, no dia 30 de setembro, ele superou o recorde mundial, com um salto de 16,01 metros.
Em 1952, em pleno Jogos Olímpicos, em Helsinque, ele voltou a superar duas vezes o recorde, na final da prova, no dia 23 de julho, primeiro marcando 16,12 metros e, depois, 16,22. Deu seis saltos, quebrou quatro vezes o recorde mundial, que pertencia a ele próprio, ganhou a primeira medalha olímpica do atletismo brasileiro e, ao percorrer o estádio para comemorar o ouro, inaugurou uma prática que seria repetida por atletas de todo o mundo: a volta olímpica.
Finalmente, em 1955, no dia 16 de março, nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México, ele saltou 16,56 metros.


