Após receber na terça-feira o prêmio de melhor atleta feminina do ano do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), no Rio de Janeiro, a paranaense Natália Falavigna Silva, 21 anos, desembarcou ontem à tarde em Londrina onde foi recebida em clima de festa pela família e os amigos. Ela é nascida em Maringá, mas sempre morou em Londrina, onde começou a treinar aos 13 anos, com o técnico Clóvis Aires da Silva, da Academia Pequeno Tigre.
Sua indicação foi em reconhecimento à inédita medalha de ouro conquistada no 17º Mundial Adulto de Taekwondo, em Madri, na Espanha, em abril, na categoria até 72 kg. No masculino, o escolhido como melhor do ano foi o judoca gaúcho João Derly, 24 anos, medalha de ouro no Mundial do Egito, na categoria meio-leve (até 66kg), em setembro. Outro londrinense premiado na festa do COB foi o atacante Giba, da seleção masculina de vôlei, escolhido como o destaque da modalidade.
Na eleição feita pelos internautas, Natália Falavigna desbancou duas favoritas ao prêmio, as ginastas Daiane dos Santos e Laís Souza, que ganharam recentemente etapas da Copa do Mundo de Ginástica Artística. ''Fiquei em choque quando anunciaram meu nome, porque sabia que seria complicado competir com a Daiane, que já ganhou duas vezes o prêmio, e com a Laís, a maior revelação deste ano'', disse ela ontem, no apartamento dos pais, em Londrina.
Sua maior surpresa foi ter sido escolhida pela população, e não pelos dirigentes esportivos. ''Eu não esperava pela votação, porque a ginástica olímpica tem muito maior estrutura no País e mais espaço na mídia que o taekwondo. Me senti muito honrada só de ter ter sido indicada entre as três'', completou Natália.
O taekwondo surgiu na vida da atleta depois de sua mãe já tê-la matriculado em aulas de tênis e natação. ''Como desde os cinco anos ela sempre gostou de esporte, eu queria encaminhá-la para essas modalidades que eu simpatizava. Mas ela não gostou e acabou mudando para o handebol. Até que um dia chegou para mim e falou: 'mãe eu vou é ser atleta de taekwondo'. Eu fiquei espantada, porque para mim era um esporte esquisito, de luta'', recorda a mãe, a dentista Ana Maria Falavigna, 51 anos.
O pai, o professor e dono de escola de inglês Manoel Ferreira da Silva, 61, desde o início optou por apoiar a filha nas suas decisões e não poupou esforços em bancar as viagens de Natália, desde que ela começou a despontar entre as atletas da academia. Com apenas 15 anos, ela já era a melhor do mundo no juvenil, em sua categoria. Ganhou o ouro no Mundial da Irlanda, lutando contra meninas faixas pretas enquanto ela ainda era faixa verde.
Em sua casa sempre funcionou o 'paitrocínio'. ''Quase todo mês eu tinha competição e ele sempre ajudou. Quando completei 17 anos vi que tinha potencial para ganhar uma medalha olímpica, então passei a ter acompanhamento profissional de fisioterapeuta, preparador físico e nutricionista. Isso custou, durante todo esse tempo, mais de R$ 1 mil por mês. Agora estou começando a retribuir aos meus pais pela ajuda que recebi'', afirma Natália.

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