Atleta desafia limites em prova de 84 quilômetros
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sábado, 11 de outubro de 2008
Luciano Balarotti<br>Equipe da Folha 
A tradicional maratona sempre foi a rainha das provas de atletismo. Mas muitos corredores já não se contentam com seus 42 quilômetros de extensão e desafiam os limites do corpo em provas mais longas. O que dizer então de uma corrida por trilhas, areias e costões à beira-mar, com distância equivalente à de duas maratonas. É o que o atleta paranaense Alisson Tracz vai encarar nos dias 18 e 19, na 7 edição do Desafio Praias e Trilhas, em Florianópolis.
Para percorrer os 84 km da corrida em terreno acidentado, o atleta aproveita os intervalos de seu cotidiano de professor de academia e personal trainer para se preparar para a prova, que disputa pela primeira vez. ''Já competi lá, em provas bem parecidas, mas não nesta distância e sozinho. Alguns dias atrás, eu fiz um treino de 53 km, com alguns alunos, para me preparar. Na verdade, as atividades de professor não ajudam muito e chegam até a atrapalhar, porque às vezes não consigo treinar o necessário'', explica Tracz, que sempre que pode treina no litoral. ''O ideal é treinar em condições próximas às que irei encontrar. Eu procuro ao máximo treinar na areia e tento também pegar muita subida e descida para fazer treinos de força, que são importantes para este tipo de prova''.
Apesar das dificuldades que enfrentará na capital catarinense, o atleta encara a corrida como preparação para um desafio ainda maior, que é a 4 edição da BR 135, etapa brasileira de um dos mais importantes campeonato de ultramaratonas do mundo, formado por três provas de 135 milhas (217 km) de extensão. Além da prova local, em meio à Serra da Mantiqueira, entre as cidades mineiras de Poços de Caldas e Paraisópolis, a competição inclui duas etapas nos Estados Unidos: a ''Badwater Ultramarathon'', no Vale da Morte (deserto), e a ''Arrowhead Ultramarathon'', na fronteira com o Canadá (etapa de gelo).
''A Praias e Trilhas era o principal objetivo e agora eu a vejo como um treino para a BR 135. De qualquer forma, pretendo conseguir uma boa posição na classificação geral e quem sabe até vencer na minha categoria'', destaca, sem deixar de pensar na competição mundial, que acontece de 23 a 25 de janeiro de 2009. ''Esta etapa de montanha tem muito pedregulho e não é um terreno legal para correr. Isto sem falar do desnível muito acentuado. Em termos de dificuldade, uma ultramaratona representa para o atletismo o que a Volta da França, por exemplo, representa para o ciclismo'', complementa. Na BR 135, o desnível acumulado com as sucessivas subidas e descidas atinge 9 mil metros - mais do que o Monte Everest, com seus 8.848 metros.
Além destas duas provas, Tracz traça outros objetivos para o futuro. ''Tem algumas corridas que eu pretendo fazer. Como a Saara Race, que percorre 250 km no meio do deserto, que é um plano que tenho para 2010. Tem também provas na Antártida, no Deserto do Atacama, cada uma com sua própria dificuldade, que são bem interessantes também'', conclui o corredor, que atualmente conta com apoio da Cia Athletica e busca novos patrocinadores. ''Dessa forma conseguirei até 2010 fazer a Saara Race e outras provas fora do Brasil''.


