Atleta alemão dá lição de cidadania
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segunda-feira, 01 de junho de 2009
Edinelson Alves<br> Especial para a Folha 
Londrina - Vice-campeão europeu de atletismo na categoria sub-20 (em 2007, quando tinha 18 anos) na prova de subida dos Montes Pirineus, Johannes Korhnlein cumpre jornada de trabalho voluntário de 10 meses em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) no Centro de Recuperação Vida Nova (Cervin), entidade filantrópica que atua na prevenção e tratamento de álcool e outras drogas. Johannes, atualmente com 20 anos, planeja intensificar os treinamentos assim que retornar, em julho, para a sua pequena cidade, Bodelshausen, no Sul da Alemanha.
Como sempre se destacava nas corridas entre os colegas de escola, aos 14 anos foi incentivado a iniciar os treinamentos. "Era algo bem amador. Eu treinava sozinho. Ganhei um manual de atletismo do meu tio e passei a seguir as orientações. Mesmo assim venci um campeonato regional. Com 18 anos disputei um campeonato alemão na categoria sub-23 e cheguei em 8º lugar. Daí surgiu o convite para representar a Alemanha no campeonato europeu", relata.
Natural de uma região próxima aos Alpes suíços, Johannes explica que sua especialidade é correr subindo elevações. Na corrida dos Montes Pirineus (famosa cordilheira na divisa França-Espanha), num percurso de 8,5 quilômetros, ele considerou seu desempenho surpreendente, principalmente porque competia com os melhores da Europa.
Com 1,80m de altura, 66 quilos, os resultados demonstram que, mesmo não tendo o rigoroso treinamento que hoje se exige dos atletas de alto nível, Johannes tem chances de conseguir bons resultados no seu retorno ao atletismo europeu. Mas, ao contrário dos esportistas que correm atrás de fama e dinheiro, ele diz que essas nunca foram suas prioridades. O retiro de quase um ano para trabalhar como voluntário numa instituição de dependentes de álcool e drogas em Rolândia comprova o seu desapego. Filho de um funcionário público, para pagar passagens e as demais despesas contou com ajuda de familiares e o apoio de uma igreja alemã.
"Correr para mim é um sonho. É algo que me dá grande prazer. A sensação de cruzar a linha de chegada é inexplicável. Corro também como gratidão a Deus por ter me dado saúde, um corpo perfeito, e também essa vocação para correr", diz o atleta.
Sobre a decisão de trabalhar como voluntário no Cervin, Johannes diz que essa experiência tem sido fundamental para sua vida. "Trabalho na marcenaria com um grupo de jovens em recuperação. Acompanho de perto o drama de cada um e o sofrimento das famílias. Vivenciar toda essa situação tem me ensinado muito. Adolescentes e jovens precisam aprender que o melhor para suas vidas é ficar muito longe do mundo das drogas. Uma vez que a pessoa entra por esse caminho, a saída dessa dependência é difícil e marcada por muito sofrimento."
Enquanto não chega a data do seu retorno, o jovem alemão corre por estradas rurais de Rolândia. "Foi importante conhecer uma cultura aberta como a brasileira. Conheci pessoas sofridas, mas alegres e companheiras, algo bem diferente do jeito fechado do alemão. Essas lições diárias aqui do Cervin vão ficar para sempre", garante.


