Ativistas e atletas prometem protestar
São Paulo - A China e o Comitê Olímpico Internacional (COI) já sofrem ataques por parte de ativistas e de atletas. Questões de direitos humanos, política e meio ambiente fazem parte da agenda de protestos, que devem se prolongar pelos próximos 12 meses. Organizações como a Anistia Internacional atacam o evento, alertando que o movimento olímpico poderá ter sua imagem manchada por anos ao permitir que o governo chinês continue violando os direitos humanos.
Entidades acusam o governo chinês de não cumprir a promessa de proteção aos direitos humanos e de ter endurecido repressão contra jornalistas. ''As promessas feitas por Pequim até agora não passam de palavras'', afirmou uma assessora da Anistia Internacional à Agência Estado. A entidade lidera protestos e tem sido apoiada por pelo menos duas outras importantes organizações - a Repórteres Sem Fronteiras e o Human Rights Watch.
As reclamações já começam a aparecer no exterior. Dizem respeito, basicamente, às condições de recepção aos estrangeiros. O Comitê Olímpico Australiano afirmou que seus atletas permanecerão o menor tempo possível em Pequim, por causa da poluição. Os chineses são considerados um dos maiores poluidores do mundo e as consequências para a saúde dos atletas podem ser negativas, temem os australianos.
Para evitar este problema, o governo chinês limitará a entrada de 1 milhão de carros na região central de Pequim a partir da próxima semana. Ainda para reduzir o nível de emissão de CO2, 3 mil ônibus que circulavam pela cidade foram trocados e fábricas que ficavam perto dos locais de competição serão desativadas. Os chineses prometem até fazer chover. Usarão artefatos químicos para permitir nuvens de chuvas em algumas regiões para evitar a concentração da poluição.
A organização dos Jogos tenta, ainda, fazer mudanças comportamentais. O ''chinglish'', inglês peculiar - para não dizer incompreensível - dos chineses tem sido combatido para facilitar a comunicação com os estrangeiros. Campanhas de bons modos também tem sido realizadas. Alguns costumes desagradáveis aos ocidentais, como cuspir no chão ou furar filas, são condenados. Pessoas flagradas nestes atos receberão multas equivalentes a quase R$ 14. E pelo menos no que diz respeito às vaias, os atletas estrangeiros não serão hostilizados como ocorreu no Pan do Rio. As autoridades chinesas ameaçam com prisões e multas os torcedores que não souberem se comportar. (A.E.)





