Rio, 14 (AE) - Ao voltar para o Flamengo em 1999, depois de uma passagem pelo Santos, Athirson surpriu uma carência do time rubro-negro. Desde de que Leonardo se transferiu para o São Paulo, há mais de uma década, o Rubro-Negro não tinha um jogador na lateral-esquerda que agradasse à torcida. Com constantes boas atuações, Athirson não só conquistou os torcedores, como se tornou o ídolo do clube após a saída de Romário.
E, ao contrário de seu antecessor, o lateral adora o contato com o torcedor e não recusa nenhum autógrafo. Às vezes, Athirson chega a ficar 20 minutos atendendo os fãs, que são em sua maioria meninas. "Não custa nada dar um pouco de atenção ao torcedor", conta.
As meninas parecem querer mais do que atenção quando gritam desesperadas na grade junto ao campo: "Athirson cadê você? Eu vim aqui só para te ver." Ao final do treino o segurança do clube abre a grade, e o jogador abraça cada uma das torcedoras.
Comprometido (tem uma namorada antiga) Athirson se esquiva das mais assanhadas. Mas, no momento, nada preocupa o jogador. "Graças a Deus isso aconteceu; estou feliz com o reconhecimento", diz satisfeito. Por isso, apesar das propostas milionárias de clubes europeus, ele garante que deseja ficar no clube. "Pretendo permanecer o máximo de tempo possível." P
Para manter Athirson no clube, porém, a diretoria do Flamengo vai ter de fazer uma boa proposta à procuradora do lateral, Marlene Matos. O primeiro valor apresentado pelos dirigentes rubro-negros foi recusado por Marlene. Uma nova reunião entre as duas partes vai acontecer na terça-feira. Até agora, o Arsenal, da Inglaterra, a Juventus, da Itália, e o Barcelona, da Espanha, manifestaram interesse no jogador.
Athirson tenta se manter alheio às negociações. "Nem estou lendo os jornais para não saber dos valores, mas a palavra final é minha", afirma. A intenção do lateral é renovar com o clube até a Copa de 2002 e depois se transferir para o futebol europeu. "Para isso, o Flamengo tem de pensar mais na valorização da prata da casa", explica.
A reclamação tem motivo concreto. Como outros jogadores revelado na Gávea, Athirson teve de deixar o clube para ter o valor reconhecido.
Antes de ir para Santos em uma troca por Marcos Assunção, Athirson chegou a ser vaiado pela torcida, sempre impaciente com os jogadores jovens. Em Santos, o lateral ganhou autoconfiança ao ser um dos destaques da equipe no Campeonato Brasileiro de 1998.
Quando retornou, o jogador aprendeu a enfrentar a pressão da torcida rubro-negra e foi um dos responsáveis pelos títulos do Campeonato Mercosul e Carioca do ano passado. A consequência natural foi a convocação pelo técnico Wanderley Luxemburgo para a seleção brasileira.
"A seleção é diferente; sempre que for chamado quero estar lá", afirma.
Aos poucos, Athirson está subindo os degraus para se tornar titular da lateral-esquerda, uma das posições mais disputadas da equipe. No meio do ano passado, ele estava atrás de Felipe, Zé Roberto e Roberto Carlos, mas conquistou a confiança de Luxembrugo no Pré-Olímpico de Londrina.
Com a contusão de Roberto Carlos, Athirson deve ser o titular no próximo jogo das eliminatórias para Copa Mundo de 2002, contra o Equador. "O importante é trabalhar para continuar no grupo", disfarça.
Perguntado se esse é um momento decisivo em sua carreira, o lateral rubro-negro diz que não, com um sorriso maroto na boca.

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