SRS. EDITORES: Segue a última demonstração da coluna semanal do Falcão. Lembramos que a publicação está RIGOROSAMENTE PROIBIDA. O texto distribuído serve apenas para análise de conteúdo dos editores. Os interessados em adquirir "Visão de Jogo", que tem exclusividade de praça e embargo para os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, devem entrar em contato com o departamento comercial da AGÊNCIA ESTADO pelo telefone (011) 856.2700 ou pelo e- mail [email protected]. Visão de Jogo Por Paulo Roberto Falcão
Destaque: Decide-se hoje a Copa do Brasil entre duas equipes que ingressaram na competição praticamente desacreditadas. Apenas o Juventude, campeão gaúcho de 1998, e o Botafogo, em fase de reformulação, confiavam no próprio sucesso. E chegaram à final com todos os méritos, eliminando favoritos. O Botafogo passou pelo São Paulo em seu melhor momento e pelo Palmeiras quase campeão da Libertadores. O Juventude superou o Internacional com uma goleada histórica e cortou o embalo do Bahia. O charme da Copa do Brasil é exatamente esse, equipara grandes e pequenos e proporciona a todos, com jogos de ida e volta, as mesmas oportunidades de seguir adiante. São, na verdade, jogos de 180 minutos, em que o planejamento estratégico deve ser o de não levar gol em casa e tentar marcar algum no campo do adversário. Por isso, mesmo que o Juventude jogue pelo empate, o gol solitário de Bebeto em Caxias do Sul pode ser o diferencial na decisão de hoje.
Título do comentário: A molecagem Uma semana depois da constrangedora final do campeonato paulista, com os principais envolvidos punidos e com manifestações de todos os lados, pode-se fazer uma análise distanciada do episódio. Edílson realmente cometeu uma leviandade ao fazer firula no momento mais tenso da decisão, quando o Corinthians tinha interesse em retardar o andamento do jogo e o Palmeiras já entrava em desespero pela impossibilidade de reverter o resultado. Fosse em um jogo menos importante ou em outra circunstância da partida, o malabarismo de Edílson dificilmente seria interpretado como uma provocação inaceitável. Mas, naquela hora, pareceu mesmo um deboche. Esta constatação, evidentemente, não deve ser encarada como justificativa para as agressões: acho que Edílson errou, mas a reação violenta dos jogadores do Palmeiras foi um erro ainda mais grave. Edílson agiu impensadamente, mas não cometeu nenhuma indisciplina (a não ser no revide a Paulo Nunes). Por isso, seu corte da Seleção também me pareceu um exagero moralista de Wanderley Luxemburgo. As reações violentas foram, sem dúvida alguma, mais danosas do que a molecagem. Foi como dar uma surra numa criança e ainda deixá-la de castigo apenas porque disse um palavrão. Notas
Afirmei na Globo que o Palmeiras tinha mais tradição do que o Botafogo. Referia-me, obviamente, à Copa do Brasil, competição que os dois estavam disputando no momento do comentário. O Botafogo recém chegou pela primeira vez numa final. O Palmeiras foi semifinalista em 92, vice-campeão em 96, semifinalista novamente em 97 e campeão em 98.
As glórias do Botafogo são bem conhecidas. Eu mesmo, quando garoto, tinha um time de botão com as estrelas do Botafogo e um ataque que formava com Zequinha, Jairzinho, Roberto e Paulo César Caju. Cheguei a ver Garrincha jogar. Jamais ignoraria a história de um clube tão grande.
A renúncia de Leonardo é intrigante. Conheço bem o jogador, fui o primeiro a convocá-lo para a Seleção e custo a crer que tenha desistido da Seleção apenas por não ter sido escolhido como capitão. Ele sabe muito bem que nem sempre o portador da braçadeira é o verdadeiro líder do grupo. Além disso, numa Seleção que reúne tantos ídolos, sempre existe mais de uma liderança.
Ronaldinho, do Grêmio, seguiu as pegadas do seu irmão Assis, que atuou no próprio Grêmio e no Vasco, estando agora no futebol japonês.
Assis também passou por seleções de várias categorias, mas não chegou à principal. Ronaldinho, que é tão habilidoso quanto o irmão, tem uma virtude a mais: marca gols. Tanto que chegou na frente de Christian na tabela de artilheiros do campeonato gaúcho. Histórias da Bola
Durante uma viagem da Seleção Brasileira à França, em 1997, tive a oportunidade de conversar com o volante Mauro Silva, que me relatou algumas hitórias do tempo em que atuava pelo Bragantino. Ele integrou a equipe campeã paulista que, em 1990, disputou a final contra o Novorizontino. Tinha como companheiros, entre outros, Gil Baiano, Biro-Biro, Alberto, João Santos, Mazinho Oliveira e Sílvio. Havia também um jogador recém-promovido chamado Souza, que parecia ter futuro, mas ainda era meio caipira. Um dia, segundo Mauro Silva, o diretor de futebol chamou o garoto para renovar contrato e perguntou: - Quanto você quer receber por um ano? Souza, atrapalhado, pediu para o dirigente fazer uma oferta. - 700 mil cruzeiros? - arriscou o homem. O jogador contrapropôs rapidamente: - Não! Quero, no mínimo, meio milhão.
Fecharam o negócio e ele saiu satisfeito, mesmo com 200 mil a menos.
O técnico do time era Wanderley Luxemburgo, sempre atento ao comportamento dos jogadores. Na semana da decisão, preocupado em evitar qualquer risco à integridade física dos atletas, procurou o zagueiro Júnior e pediu sua moto emprestada. O jogador, prontamente, passou-lhe as chaves, pensando que ele ia dar uma volta. Antes de sair acelerando, Wanderley voltou-se para ele e disse: - Depois da final, na segunda-feira, passa lá em casa que eu te devolvo.
Com o lateral-esquerdo Biro-Biro aconteceu uma coisa ainda mais curiosa. Num jogo contra o Corinthians, ele entrou forte no atacante adversário, os dois caíram, mas não houve falta. Biro-Biro ergueu-se primeiro, mas notou que tinha perdido a dentadura postiça. Deixou o ponta escapar com a bola e saiu à procura dos dentes. Enquanto enfiava a dentadura cheia de grama na boca, seu time só não sofreu um gol porque o cruzamento saiu forte demais. Levou a maior bronca dos companheiros e do técnico, mas nada respondeu. Passou o resto da partida com a boca fechada.

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