Atacante vive entre celebridades em Mônaco
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sábado, 17 de maio de 2008
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Pensa em um dos lugares mais badalados do mundo para morar. Quem arriscou Mônaco, pode ter certeza de que acertou. Afinal, badalação é o que não falta no Principado que reúne celebridades do mundo inteiro. Atores, pilotos, cantores, atletas e artistas em geral escolheram o local para desfilarem seus carrões e seus iates. Entre eles, um brasileiro que ainda busca seu espaço no mercado europeu da bola, mas que já entra para o circuito das celebridades de Mônaco. Esse brasileiro é Anderson Luís de Carvalho, o Nenê.
Aos 26 anos, o jogador põe fim neste domingo à sua primeira temporada no Mônaco e projeta um ano bem diferente após as férias do meio do ano, já que a participação do time dele no Campeonato Francês não foi nada boa. Mais adaptado, ele espera render mais e aparecer para o técnico da seleção brasileira, Dunga.
Rebaixado no Brasileirão em 2002 com o Palmeiras, ele viveu situação totalmente oposta no ano seguinte, com a camisa do Santos. Na Vila Belmiro, foi vice-campeão da Libertadores daquele ano e depois foi tentar a sorte na Espanha. Passou por Mallorca, Alavés e, por último, Celta de Vigo, onde amargou mais um rebaixamento, na temporada passada. Em entrevista à Folha, ele falou disso e de muito mais. Confira:
Folha - Como foi a adaptação ao futebol francês? É muito diferente do espanhol e do brasileiro?
Nenê - Eu não demorei muito tempo para me adaptar ao estilo de jogo da França. Aqui, o futebol é um pouco mais parecido com o brasileiro do que o espanhol, em que a marcação é mais forte e um meio-campista, como eu, não tem muito tempo para pensar com a bola nos pés.
Folha - Quais as perspectivas para a próxima temporada, já que o Mônaco não fez uma boa campanha nesta que está acabando?
Nenê - Realmente a expectativa de todo mundo aqui no Mônaco era de que o time disputasse pelo menos uma vaga para as competições européias. Mas perdemos muitos jogos em casa, o que comprometeu bastante nossa campanha. Mas o elenco do clube é bom e, com alguns pequenos ajustes, podemos realizar uma campanha muito melhor na próxima temporada.
Folha - O que o rebaixamento com o Celta representou pra você, para sua carreira?
Nenê - Foi uma coisa que me deixou muito triste e que acaba sendo uma marca negativa na carreira de qualquer jogador. O Celta fez uma boa campanha na Copa da Uefa, mas não tinha um elenco com quantidade e qualidade suficientes para fazer um bom trabalho também no Campeonato Espanhol. Os dirigentes e treinadores achavam que o time poderia se recuperar a tempo de não cair, mas isso acabou não acontecendo.
Folha - Você ainda pensa em seleção?
Nenê - Sim, todo jogador pensa em Seleção. Eu fui convocado algumas vezes para o time sub-23 pelo Ricardo Gomes, que hoje dirige o Mônaco. Estou trabalhando e tenho esperança de ser lembrado para a equipe principal.
Folha - Você é casado? Tem filhos?
Nenê - Sim, sou muito bem casado com a Priscilla e tenho dois filhos maravilhosos, que estão curtindo muito esses anos em que estamos na Europa.
Folha - Como é a vida em, Mônaco? Aproveita todas as belezas de Mônaco e da França, costuma viajar nos momentos de folga? O que mais gosta de fazer?
Nenê - Uma coisa que eu sempre fiz foi aproveitar as folgas para conhecer a Europa. Mesmo quando estava na Espanha eu fazia isso e agora, em Mônaco, fica mais fácil ainda. O Principado é um lugar maravilhoso e de muitos eventos esportivos e sociais. Fiz amizade, por exemplo, com o Felipe Massa (piloto da Ferrari), que mora aqui, conheci pessoalmente o Guga, quando ele veio disputar o Master Series de Montecarlo e já fui a muitos shows musicais promovidos pelos hotéis daqui, com grande estrelas da música internacional.
Folha - Como foi com o frio? Já está acostumado?
Nenê - Nunca tive muito problema com isso e agora, em Mônaco, é mais tranqüilo ainda. Enfrentei muito mais frio quando estava no Alavés, que fica no País Basco, região do norte da Espanha. Lá nevava direto no inverno. Como o Principado fica no sul da França, no litoral do Mediterrâneo, as temperaturas aqui são muito mais agradáveis.
Folha - Tem dificuldades com o idioma? Pagou algum mico por isso?
Nenê - O espanhol eu já falo fluentemente, até porque morei quatro anos por lá, jogando pelo Mallorca, Alavés e Celta. O francês eu ainda estou aprendendo, tanto que evito dar entrevistas para os jornalistas daqui sem a ajuda de um tradutor. Mas, para as coisas do dia-a-dia, eu já estou me virando bem e não chego a pagar micos, não...
Folha - Aprecia a culinária francesa, os vinhos?
Nenê - Eu não consumo bebidas alcoólicas, mas gosto da culinária francesa, sim. É claro que, sempre que possível, procuro saborear um churrasquinho ou outro prato bem brasileiro.
Folha - Pensa em voltar para o Brasil ou está cedo? Tem proposta de algum clube?
Nenê - Eu estive muito próximo de voltar ao Santos no início deste ano, mas o Mônaco não me liberou. Mas confesso que, nos meus planos, pretendo ficar mais alguns anos na Europa. Se possível, atuando em um grande clube para realizar um dos meus sonhos, que é disputar a Liga dos Campeões.


