Atacante do Bandeirante é artilheiro implacável na A3
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Por Brás Henrique 
Ribeirão Preto, 19 (AE) - Depois de penar na roça, nas colheitas de feijão, amendoim e algodão, Reginaldo Silva dos Santos, de 21 anos, resolveu encarar o futebol com seriedade e profissionalismo. Deixou de jogar apenas por prazer, no amadorismo e até no futebol de salão, e ganhar uns trocados, para encarar os duros zagueiros da Série A3 do Campeonato Paulista. Baixo (1,70 m) e gordinho (74 kg), em 14 jogos, ele já marcou 23 (67,6%) dos 34 gols - média de 1,64% por jogo - do Bandeirante, de Birigui, na competição. Dos outros 15 times, só a Ferroviária, com 24 gols, o supera. Só não fez nos dois jogos em que a equipe perdeu sem marcar - em 12 jogos, a média sobe para 1,92% gol por partida. Apenas um gol foi de pênalti.
Tímido, Reginaldo não está acostumado com as entrevistas. Balbucia poucas palavras em cada resposta e não se cansa de elogiar o conjunto do time e o trabalho do técnico José Fernando Polozi. "O melhor time é o Bandeirante mesmo e acho que podemos subir", afirma ele, sem se ligar no passado. No domingo passado
por exemplo, ele marcou 4 gols na goleada de 6 a 1 sobre o Garça, em Birigui, e, dois dias depois, já não lembrava como tinham sido as jogadas. "O que passou, passou; penso no próximo jogo", diz.
Santista declarado, afirma que nunca teve um ídolo. Só menciona que seu pai, o funcionário público de Glicério, José dos Santos, falou muito de Pelé. "Meu pai me dá conselhos e acompanha meus jogos", comenta Reginaldo, sonhando em jogar no Santos (o Guarani o recusou no passado), mas sem escolher um parceiro. Apesar da juventude, ele é casado há quase cinco anos e tem dois filhos. Ganha pouco - porém, mais do que recebia na roça - e não se queixa, pois acha que um grande clube vai contratá-lo ainda neste ano.
Habilidoso, rápido e com boa visão de jogo, Reginaldo já mostrou suas qualidades em 1998 ao marcar 9 gols em 14 jogos. Mas desanimou. "Pensei em parar", afirma. O técnico Polozi insistiu. "Fui atrás dele, na roça, e disse que ele tem condições de ganhar muito dinheiro no futebol", recorda o ex-zagueiro da seleção brasileira na Copa de 78.
"Ele é inteligente com a bola nos pés e tem um estilo diferente de qualquer outro atacante." Um trabalho psicológico também ajudou. "Ele é caipirão, mas mudou seu modo de agir", diz o técnico do Bandeirante, que somou 100% de pontos jogando em casa. Mas, Reginaldo, nascido em Penápolis, promete não esquecer o interior: noveleiro, assiste sempre O Rei do Gado.


