Atacante diz que decisão de jogar a final foi dele. E admite atuação ruim
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sexta-feira, 17 de julho de 1998
Agência Estado 
O atacante Ronaldinho disse ontem que a decisão de entrar em campo e jogar a Copa, logo depois de ter tido uma crise, foi inteiramente sua. Ronaldo contou que, quando voltou da clínica em Paris, onde fez vários exames, já estava muito bem e que não sentia-se sonolento, ou mesmo com as pernas pesadas. A afirmação contradiz o coordenador técnico da Seleção, Zico, que, ao desembarcar ontem no Aeroporto Internacional do Rio, voltando do Japão, disse que o craque estava meio grogue e sonolento.
Ronaldo não pretende fazer novos exames para descobrir a causa da crise, conforme recomendado pelos médicos Lídio Toledo e Joaquim da Matta. O jogador acha que os exames feitos em Paris já mostraram que ele não tem nada e que sua saúde está perfeita. Não tenho problema de saúde, os exames comprovaram isso.
Ronaldinho assumiu ter falhado no jogo final da Copa, mas disse que todo o time jogou mal e que a França mereceu a vitória por 3 a 0. Aqui no Brasil alguém tem que ser responsabilizado pelas derrotas, tem que se achar um culpado. Eu devo ter falhado, assumo meus erros, mas ninguém jogou bem. Ronaldo terminou dizendo que procurou dar tudo de si para a seleção conquistar o pentacampeonato.
Perguntado sobre a declaração de seu companheiro de quarto, Roberto Carlos, que havia dito à imprensa que a verdade sobre o assunto só iria aparecer mais tarde, e que tudo permaneceria em segredo entre ele e o doutor Lídio, Ronaldo disse não acreditar que o lateral tenha dito isso e que a imprensa tem exagerado e inventado histórias.
Segundo o craque, ele tem mantido contatos regulares com os dirigentes da Internazionale de Milão e que em momento algum falaram em dar um tratamento especial a ele quando retornasse à Itália. Eles não me falaram nada disso, tudo é um pouco de exagero. Mais uma vez, Ronaldo negou que tenha recebido uma infiltração. Eu nunca tomei infiltração na vida.
A única medicação que tomou durante a Copa foi o anti-inflamatório Voltaren e um remédio para gases, segundo ele. As dores que vinha sentindo no joelho, segundo o craque, já não o incomodavam antes mesmo da partida final. O problema do joelho já estava solucionado.
Saudoso de sua noiva, Suzana Werner, que deve chegar hoje da Itália, Ronaldo não sabe o que fará no resto de suas férias. Mesmo que já estivesse planejado, eu não iria contar para vocês, brincou o jogador, que por várias vezes reclamou do assédio da imprensa. Gostaria de mais respeito à minha privacidade.


