São Paulo - Ícones das conquistas do ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona/92 e Atenas/2004, Marcelo Negrão e Nalbert estão sentindo na pele as dificuldades da escolha de deixar as quadras e iniciar a carreira na praia. Nalbert, que sonhava em disputar a Olimpíada de Pequim em 2008, admite que a meta é difícil de ser realizada, apesar de estar satisfeito com o desempenho no primeiro ano. Já Negrão entrou no circuito nacional apenas em agosto e quer estar entre as cinco melhores duplas do Brasil.
Sobre a possibilidade de retornar à seleção, Nalbert desmente: ''Eu não disse nem meia frase sobre isso, e já cheguei a ter problemas com meu patrocinador (AGF Seguros). Meu foco é na praia, é pensar nas próximas competições, e por isso não falo mais sobre esse assunto.''
O jogador tratou de afastar qualquer possibilidade de tentar ir a Pequim pelo vôlei indoor, como fizeram Tande e Giovane em Sydney/2000. ''Eu jamais faria o que eles fizeram. Essa história de abandonar a praia a dois meses da Olimpíada para voltar a jogar na quadra não pode.''
Nalbert mantém a vontade de jogar no vôlei de praia apesar de ver cada vez mais distante o sonho olímpico. ''Desde que resolvi vir para a praia eu sabia das minhas dificuldades. Eu recebi propostas indecentes para ficar na quadra, que até me fizeram tremer as pernas, mas eu sabia bem o que estava fazendo. Não me arrependo'', assinala. ''Agora eu tenho tempo para namorar tranquilo, treino em frente à minha casa e curto a minha família. É o que eu sempre quis.''
Marcelo Negrão, que aos 18 anos se tornou o símbolo da ''geração de ouro'' ao marcar o último ponto em Barcelona, ainda é um novato na praia. Ao lado de Murilo, com quem estreou em agosto, tem como objetivo chegar entre as cinco melhores duplas do Brasil.
''Treinos e viagens não são novidades para mim, mas são bastante cansativos. Estou adaptado porque não tem muito segredo: o vôlei é força e muito preparo físico. Meu maior problema é que na praia temos mais de um jogo por dia, então gasto toda energia no primeiro, e quando chego no segundo estou morto'', conta.
Nas etapas do circuito brasileiro, Marcelo sempre troca figurinhas com Nalbert. ''Ele me deu uns toques. Fala para cuidar do físico porque os fundamentos e a técnica nós temos'', assinala.
Se ele tem vontade de voltar à quadra? ''Zero. Minha vida é muito diferente agora. Tenho dois filhos, o Gabriel, de dois anos, e o Mateus, de 45 dias. Estou aproveitando demais essa fase. A praia não dá dinheiro como a quadra, mas estou muito feliz nesse momento'', conclui.

mockup