São Paulo - Mesmo longe dos gramados, Ronaldo nunca será esquecido. O que fez em campo desde que deixou o São Cristóvão, do Rio, para defender as cores do Cruzeiro, seu primeiro clube como profissional, dificilmente será superado por outro jogador. Ronaldo construiu o apelido de Fenômeno, batizado na Itália, onde a notícia de sua retirada dos campos também estourou, e fez jus a ele até chegar ao Corinthians.
Mesmo no Parque São Jorge, sua primeira temporada foi excelente. Mais magro, mais disposto, mais envolvido, ainda aguentava colocar seu corpo cansado à prova do futebol competitivo. Suas últimas partidas, gordo e sem mobilidade, nada significam em relação à tudo que jogou. Não seria surpresa, por exemplo, se a Fifa descobrisse numa pesquisa que Ronaldo só é menos conhecido no futebol que Pelé, talvez que Maradona.
E tudo começou aos 16 anos, quando já fazia misérias no Cruzeiro. Além das jogadas ousadas, ele era um fazedor de gols. Em 58 jogos, marcou 57 vezes, escrevendo em Minas as primeiras linhas de carreira brilhante.
Não demorou para o garoto magricela e cheio de sonhos ser conhecido mundialmente. O primeiro passo para a fama que construiria foi dado em 1994, ao ser chamado por Carlos Alberto Parreira para a Copa do Mundo dos Estados Unidos. O menino franzino ainda era chamado de Ronaldinho. Tinha 17 anos e era o mais novo de um grupo que entraria para a história ao tirar o Brasil da fila de 24 anos sem título mundial. O fato é que nascia ali sua identificação com a seleção e com a história das Copas. O destino lhe reservava uma infinidades de conquistas.
Ao repórter Daniel Pizza, do ''Estado de S. Paulo'', Ronaldo disse que sua carreira ''foi linda''. E foi mesmo. Deixou saudades em todos os clubes que jogou. Vestiu as mais pesadas e tracionais camisas do futebol mundial. Depois do Cruzeiro, vieram PSV Eindhoven (Holanda), Barcelona, Internazionale, Real Madrid, Milan e Corinthians. Em todos eles sua chegada arrastou multidões. Sua primeira negociação do Cruzeiro para o PSV foi de US$ 6 milhões. Nunca mais Ronaldo valeria tão pouco.
O melhor do mundo
Foi no Barcelona das arrancadas endiabradas e dos gols inacreditáveis que Ronaldo ganhou seu primeiro dos três prêmios de melhor jogador do mundo da Fifa: 1996, 1997 e 2002.
Amargou, como qualquer outro, momentos delicados na carreira, como as lesões nos joelhos quando era da Inter de Milão. A primeira delas foi contra o Lecce. Recuperou-se e voltou diante da Lazio. Era 2000. Foi quando comoveu o mundo com nova contusão. Sua imagem se contorcendo de dor era forte o bastante para preverem sua aposentadoria. Ronaldo persistiu.
Seleção brasileira
Foi um Fenômeno também com a camisa do Brasil. Sem jogar na Copa de 1994, já seria um dos principais jogadores do time em 98, na França, quando uma convulsão às vésperas da final com a França fez o time se abater e ser presa fácil para a turma de Zidane. Ronaldo foi hospitalizado e passou por uma bateria de exames. Nada foi constatado. Ele enfrentou a França, mas sem ser o craque que o mundo conhecia.
Em 2002, superou os críticos que diziam que ele não daria mais nada para se transformar num mito. Faria oito gols, sendo dois deles na decisão com a Alemanha. Voltaria, dessa forma, a ser reverenciado. Quatro anos mais tarde, em 2006, na Alemanha, já parecia enfrentar problemas com o peso. Era seu epílogo na seleção. O Brasil fracassaria, mas com três gols, ele entraria para a história dos Mundiais como o maior artilheiros de todos os tempos, com 15 gols. Já não seria mais o mesmo no Milan e Corinthians. Ronaldo para aos 34 anos. Mas o mundo jamais se esquecerá dele. (Robson Morelli/Agência Estado)

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