Londrina - Oss! Este símbolo, que em japonês significa perseverança, é a premissa do karatê. Talvez seja por tentar seguí-la à risca que a Associação Londrinense de Karatê (ALK) vai completar 40 anos zno próximo domingo, dia 26 de abril. Durante a celebração, que terá início às 10 horas, Norio Haritani fará uma palestra sobre a filosofia do karatê. Também haverá sorteio de 50 bolsas para crianças carentes e idosos, além da abertura de uma exposição de fotos e recortes de jornais que vai até dezembro.
"O karatê significa minha vida", define Haritani. O motivo para dar tanta importância à arte que aprendeu com sensei Funakoshi, o guru do karatê Shotokan, estilo praticado por seus discípulos, foi por conta da família que formou com os companheiros, que dão continuidade aos seus ensinamentos. "Meus alunos da primeira turma seguem a minha filosofia não só tecnicamente", completa.
Nestas quatro décadas, mais de 10 mil interessados procuraram sua academia e Luis da Silveira é um dos que imprimiram continuidade ao trabalho de sensei Haritani. E a luta que elenca como a mais penosa em 34 anos de karatê não foi por títulos de campeonatos mundiais ou panamericanos, mas a conquista pela sede própria. "Até então treinávamos em um local alugado e a proprietária vivia pedindo o imóvel de volta", relembra.
Para edificar a sede atual da ALK (inaugurada em setembro de 1988), foram gastos somente nos alicerces da obra mais de 100 sacos de cimento. Dentre os ensinamentos vividos sobre o tatame, "a filosofia de vida oriental, a disciplina, o respeito e a busca pela verdade foram os que marcaram". "Isso está muito arraigado na cultura japonesa e é como ter um objetivo e correr atrás, uma marca forte deles", emenda Silveira.
O resultado se reflete na formação da personalidade do atleta. Silveira afirma que a academia não se preocupa em ensinar socos e pontapés. "Isso qualquer um faz, é fácil. Mas tornar um ser humano melhor, aí já é mais complicado", aponta. Para isso, indica caráter, responsabilidade e bondade como os caminhos para tal proeza. "Ser o melhor pai, o melhor filho, o melhor esposo, o melhor cidadão é mais importante que ser campeão mundial. Nós ensinamos uma arte pura e marcial", acredita.
Em 2004, a trajetória do sensei Norio mereceu uma biografia escrita pelo jornalista Alexandre Horner. Dentre todas as nuances da vida do karateca, a mais curiosa é a troca da sua terra natal, o Japão, pelo Brasil, que considera seu país de coração. Foram 45 dias de barco, entre dezembro de 1966 e janeiro de 1967, até chegar a uma terra onde não tinha parentes, amigos e nem sequer um planejamento de emprego antecipado. "O jovem precisa de desafios", resumiu.
Para Haritani, a conquista mais valorosa são os amizades que atravessaram estas quatro décadas. No princípio, o karatê serviu como base para conhecer as primeiras pessoas na cidade. "É difícil falar do que foi marcante em todos estes anos, mas eu consegui muitos amigos. É o mais importante para mim, porque quando cheguei a Londrina eu era sozinho e fiz amigos pelo karatê", avalia.

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