Associação de atletas quer ter voz ativa na CBV
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Heleni Felippe 
São Paulo, 18 (AE) - A partir de agora, os jogadores do vôlei poderão ter voz ativa em decisões que envolvam diretamente suas vidas na quadra. Pelo menos é o que desejam. Em reunião realizada na quarta-feira, em São Paulo, um grupo de atletas decidiu pôr em funcionamento a Associação Brasileira dos Jogadores de Vôlei (Abrav), criada em abril de 1998, que, legalmente, tinha prazo de um ano para dar início às atividades. "Os jogadores, que fazem o espetáculo, praticamente não participam da organização do esporte", observa a levantadora Fernanda Venturini, do Rexona. "É a maneira que encontramos de colaborar, construtivamente, para o nosso esporte", acrescenta a atacante Ana Moser, da Universidade Guarulhos (UnG).
A reunião deveria ficar em sigilo até que a ata fosse encaminhada aos dirigentes do esporte. Para Ana Moser, seria a melhor forma de evitar que a Abrav seja interpretada como algo agressivo. "É apenas uma forma de organização dos atletas." "Gostaríamos de poder discutir dentro da Confederação Brasileira de Vôlei, de participar e decidir com eles", ressalta Fernanda. A maior participação dos jogadores é uma das principais reivindicações que serão encaminhadas aos dirigentes. Os atletas querem ter representatividade na hora de discutir a organização da Superliga e definir o ranking. "Gostaríamos de evitar que atletas ficassem sem clube, como ocorreu com a Hilma e a Ana Paula", diz Fernanda.
Em dólar - Os jogadores temem que a alta do dólar faça crescer o êxodo para o exterior. Hoje, atletas de primeiro nível, como Marcelo Negrão, Janélson e Gílson já atuam fora do País. Os salários em dólar ficarão ainda mais atraentes com a desvalorização do real.
Os atletas também estão preocupados com questões como a falta de público nos ginásios, a pequena identidade que os times têm com as comunidades e defendem, ainda, a criação de uma lei de incentivo fiscal para o esporte. "Foi uma reunião para esclarecer, para pôr em funcionamento a associação", diz Karin Rodrigues, do Leites Nestlé, que deseja que os atletas tenham um órgão realmente ativo. Ana Moser, Fernanda, Karin, Virna, Leila e Pezão foram atletas que estiveram na reunião. A Abrav foi registrada por Jorge Édson em abril de 1998. Hoje, o atacante joga em Portugal por causa do ranking, que limita a contratação dos clubes, e da recessão econômica do País, que cortou investimentos de patrocinadores e provocou a transferência de atletas para o exterior. Entre os sócios-fundadores estão Ana Flávia, Ana Paula e Marcelo Elgarten.


