Assaltos e terrorismo ameaçam
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de dezembro de 2000
Da Redação 
Além dos desafios naturais, como as dunas, pedras e muitos buracos, o rali Paris-Dakar traz uma nova preocupação para competidores inscritos, entre eles os brasileiros da equipe BR Lubrax: a possibilidade de ficar a pé no deserto devido aos assaltos e de sofrer algum atentado terrorista no Saara. A história da competição mostra estatísticas assustadoras.
Em 1999, uma emboscada de rebeldes fez com que 50 pilotos e jornalistas ficassem a pé (dois caminhões, três carros e uma moto foram roubados) e sem os equipamentos de trabalho, como notebooks, telefones via satélite, máquinas fotográfica e de vídeo, dinheiro, roupas, alimentos, ferramentas, pneus e combustível. Na última edição da prova, em janeiro deste ano, uma ameaça de atentado obrigou a caravana do rali a atravessar o Níger em aviões.
O maior problema está na Mauritânia, um dos países africanos que serão atravessados durante o rali de 2001. O governo local garantiu à organização da prova toda a segurança aos participantes, mas essa promessa mais parece uma piada. Na África, estamos no fim do mundo, conta Klever Kolberg.
Para não correr riscos, os veículos da equipe BR Lubrax (o Mitsubishi Pajero Full de Klever e o caminhão Tatra de André) são equipados com um sistema de monitoramento via satélite Controlsat que, além de permitir a localização do veículo, dá aos participantes a possibilidade de emitir um sinal de emergência que pode significar a diferença entre a vida e a morte. Isso já nos deixa bem mais aliviados, mas ainda vamos ficar preocupados com o Juca Bala e o Jean Azevedo, já que nas motos Honda Falcon Rally não há espaço para instalarmos o sistema Controlsat, explica André Azevedo.
Por causa desses assaltos, os organizadores mudaram completamente o roteiro da prova em 2000, que ligou Paris a Dakar e depois ao Cairo, com a constante preocupação de evitar as regiões mais perigosas. Mas esta medida, apesar de ter conseguido evitar o risco dos roubos, acabou colocando o rali na direção de um dos maiores e mais agressivos movimento guerrilheiros da atualidade, o GIA (Grupo Armado Islâmico).
No ano passado o rali foi interrompido e toda a caravana foi transportada via aérea para fora do território do Níger, direto para a Líbia. Na África, atravessamos regiões de grande miséria. Quando estamos dormindo, os ladrões cortam as barracas e puxam o que podem lá de dentro. Normalmente, os exércitos locais protegem os acampamentos, mas é melhor colocar tudo em uma mochila ou no carro. Mas nos dois últimos anos, eles chegaram armados e todo mundo teve de entregar tudo para sair vivo, relembra André. O pior é que isso já está virando rotina, lamenta Klever.


