O Assahi vai tentar anular a tumultuada partida contra o Arapongas, disputada domingo, em Assaí, pelo Grupo A da Série A-2 do Paranaense. O jogo terminou sem que o árbitro Antônio Oliveira Salazar Moreno confirmasse o resultado: vitória de 2 a 1 para o Arapongas ou empate de 2 a 2. Somente na segunda-feira, 24 horas após a partida, é que se ficou conhecendo o placar final da partida suspensa aos 37 minutos do segundo tempo, de acordo com relatório do árbitro. Moreno relatou que não validou o susposto gol de empate do Assahi e que suspendeu o jogo por falta de segurança.
Ontem, a Federação Paranaense de Futebol (FPF) encaminhou o caso para o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), que deve julgar o processo em 15 dias. ‘‘A Federação não tomou nenhum partido, o resultado está mantido em 2 a 1 para o Arapongas e encaminhamos o relatório do árbitro para o TJD’’, informou Eliseu Siebert, superintendente da FPF.
‘‘Vou entrar com recurso pedindo a anulação do jogo porque o árbitro usou de má-fé. Tenho uma fita da rádio provando que ele dá o gol e depois volta atrás na decisão’’, confirmou ontem Marcelo Caldarelli, presidente do Assahi.
O dirigente, que estava ontem em Curitiba contratando um advogado, nega que tenha feito ameaças de morte ao árbitro. ‘‘Se eu o tivesse ameaçado, ele não teria saído andando tranquilamente do estádio. A própria delegacia de polícia de Assaí não registra nenhuma queixa contra mim. No relatório, ele cai em um monte de contradições. Como ele pode afirmar que não havia segurança se ninguém o agrediu?’’, questiona ele.
O árbitro Antônio Moreno confirmou à Folha as ameaças. ‘‘Ele (Caldarelli) falou ‘ou você confirma o gol ou vai morrer aqui’’’, reafirmou ele. ‘‘Depois que apontei a infração, o Caldarelli entrou no gramado e daí o tumulto foi tão grande que não tive condições de recomeçar o jogo’’, disse o juiz.
Em seus 13 anos de arbitragem - cinco pela CBF -, Moreno já pegou algumas ‘pedreiras’. Há cerca de 10 anos, o juiz lembra que teve de sair de camburão de um jogo em Cambará, entre Matsubara e Pato Branco, resultado que rebaixou o segundo time.
Caldarelli tenta ainda encontrar uma fita de vídeo do jogo feita por um cinegrafista amador, que supostamente teria sido levada por dirigentes do Arapongas, para anexar ao processo que enviará ao TJD. O presidente do Arapongas, Edvaldo Barbosa, nega o fato. ‘‘Engano do Caldarelli. Não houve isso, se teve alguém filmando (o jogo) estava bem discreto’’, afirmou.
O secretário de esportes de Assaí, José Luiz da Silva, contesta que torcedores do Assahi tivessem invadido o gramado. ‘‘A torcida do Assahi não invadiu o campo. Quem entrou no gramado foram os seguranças do Mauro Morishita (dirigente do Arapongas) e do Caldarelli porque alguém abriu o portão que dá acesso ao campo’’, disse Silva, afirmando que todas as reformas exigidas pela FPF no estádio foram feitas. ‘‘O meu erro foi deixar o controle dos portões - que só abrem por dentro - nas mãos dos clubes. Vamos mudar isso e colocar cadeados nas trancas dos portões daqui pra frente’’, prometeu ele.
Para árbitro Antônio Moreno, os seguranças não fazem parte da súmula do jogo e, portanto, são torcedores. Ele afirma ainda que o jogador Lima, do Arapongas, foi atingido por uma pedrada atirada por torcedor que, tanto pode ser do Assahi como do Arapongas.
Na última posição do Grupo A, o Assahi demitiu o técnico Chicão e contratou ontem Itamar Bernardes, campeão da Série A-3 pelo Nacional de Rolândia em 98.

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