Agência Estado
De São Paulo
Acabou a greve de silêncio do colombiano Asprilla, que ficou 27 dias sem falar com os jornalistas alegando não entender o português. O jogador está perfeitamente doutrinado pelo técnico Luiz Felipe Scolari. Em nada lembra a polêmica estrela que tinha como passatempo predileto cultivar brigas com treinadores ou arrumar confusões em boates. ‘‘Estou aqui para jogar futebol e ajudar o Palmeiras como puder’’, afirmou Asprilla. ‘‘Já entendi que terei de marcar, é isso o que o treinador quer. Nenhum atacante gosta de marcar, mas estou disposto a fazer o que me for pedido. Quem decide é o Luiz Felipe.’’
O colombiano parece mesmo estar disposto a não criar confusões. O jogador - foi cedido pelo Parma ao Palmeiras - estava vivendo um período de decadência na carreira. E não por causa do futebol. Saiu da Colômbia como grande estrela. Jogou no Newcastle e no Parma. Conquistou títulos importantes como a Copa da Uefa, Copa da Itália, Supercopa e Recopa Européia. Mas aprontou tantas confusões que o mercado se fechou para ele. ‘‘Só clubes sem chances de conquista na Espanha e na Itália estavam interessados em mim. Por isso aceitei jogar no Palmeiras. Este clube vai disputar títulos, isso me estimula’’, disse ontem o jogador.
Asprilla assinou contrato por três anos e já percebeu que, para ter tratamento de estrela, primeiro precisa ganhar uma posição no time. ‘‘Já notei que a disputa será forte. São seis jogadores para duas posições (Evair, Oséas, Euller, Paulo Nunes, Edmílson e o colombiano). Mas são tantas partidas no Brasil que todos vão poder jogar’’, ele acredita.
Para quem acompanhou apenas os gols importantes que Asprilla fez pelo mundo e imaginava que ele fosse um atacante velocista, com grande explosão e arranque, Luiz Felipe faz questão de mostrar a realidade. ‘‘Nada disso, Asprilla é técnico, altamente técnico’’, opina o treinador. ‘‘Ele não é de ficar na frente esperando a bola para sair correndo. Se fica de costas para os zagueiros, está morto. Joga muito bem com a bola dominada, tocando. Sua grande virtude é o raciocínio. Ele é inteligente, antecipa as jogadas e serve muito bem os companheiros. Ele ainda está aprimorando a sua forma física. Quando estiver bem, eu verei como utilizá-lo’’, disse o treinador.
Retranca - Reforçar o meio-de-campo para ajudar a defesa. Essa deve ser uma das preocupações do técnico Luiz Felipe Scolari, do Palmeiras, para o jogo contra o Botafogo, amanhã, em Ribeirão Preto. Mesmo diante de um adversário que perdeu para o Gama por 3 a 1, domingo, no seu próprio estádio, o treinador do Palmeiras não quer correr riscos.
No treino de ontem à tarde, na Academia, Scolari escalou a equipe na primeira parte do coletivo, com Galeano no meio-de-campo, no lugar de Rogério. Galeano, cujo passe havia sido posto à venda no início da competição, poderá ter nova chance no Palmeiras. Com isso, o técnico pretende ter um esquema mais fechado no setor. A dupla de zagueiros, mantida do início ao fim do treino, foi formada por Rivarola e Agnaldo. Sem poder contar com Júnior Baiano e Cléber, que se recuperam de cirurgia, além de Roque Júnior, sem contrato, o treinador admite que não tem outras opções.

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