As maravilhas e adrenalina do mergulho sob pressão
Seis minutos, dois segundos. Tempo para o preparo de um macarrão instantâneo, ou período que dura um bloco da novela das oito ou mesmo um banho demorado para alguns... Prenda a respiração: 6min02s é o recorde mundial feminino de apnéia estática conquistado pela brasileura Karoline Meyer Dal Toé, no Campeonato Mundial de Apnéia, realizado no Egito, em julho do ano passado.
Imagine a concentração e relaxamento necessários para ficar tanto tempo submerso numa piscina ou sendo carregado por um lastro para o fundo do mar... Noções como a de tempo e espaço se dissolvem. No mar, a medida em que o atleta viaja através de um cabo-guia para o fundo, a luz diminui e a magia do mergulho na imensidão azul torna-se intensa. São diversos os peixes que podemos apreciar em cada mergulho. A sensação de bem estar no ambiente subaquático é indescritível, afirma Karoline e ainda ressalta o momento único quando o mergulhador experimenta descer no mar sem nadadeiras e toca o fundo com a sensação de estar praticamente sem gravidade, num ambiente misterioso e desconhecido, em silêncio absoluto...
Perfil de campeã Natural da Recife, Karoline Dal Toé, com seus 32 anos, reside em Florianópolis. Ela declara que sempre gostou do mar: Na verdade comecei com a apnéia em 98, numa brincadeira com o meu marido, praticante de caça submarina, e me surpreendi com a marca de 3min35s logo na primeira experiência. A partir desse dia, procurou informações e técnicas de apnéia, contatou franceses referência da modalidade no mundo e começou a treinar. Atualmente os pontos de prática são: a Reserva do Arvoredo e o Lira Tênis Clube, em Florianópolis, cidade onde reside.
Dal Toé guarda uma verdadeira coleção de títulos: recordista mundial feminina de apnéia estática: 6min02s, Egito, julho/99; recordista sul-americana em lastro variável em mar: 70 metros, França, outubro/99; recordista brasileira em lastro constante em mar: 50 metros, França, setembro/00; recordista sul-americana em lastro constante em lago: 42 metros, Bélgica, setembro/00; e recordista sul-americana em imersão livre em lago: 39 metros, País de Gales, outubro/00.
Dois momentos marcaram profundamente a atleta: Aconteceu treinando apnéia estática e, após completar seis minutos, percebi que não tinha a menor vontade de respirar... Assustada, parei. Praticando sozinha em casa, fora da piscina também ocorreu, relata Karoline. A descida em lastro variável até os 70 metros foi mágica para a recordista que se deslumbrou ao encontrar-se sozinha naquela profundidade decidindo a melhor hora de subir...
Segurança para todos A arte de ficar sem respirar por tanto tempo exige muito treinamento e concentração. A segurança no esporte vem evoluindo com o surgimento de cursos especializados em todo o mundo. Reinaldo Alberti, instrutor da escola de mergulho curitibana Acquanauta, afirma: A quantidade de pescadores subaquáticos paranaenses surpreende, mas existe uma carência muito grande em técnica e legislação na área, referindo-se ao desrespeito às zonas ambientais e às normas de segurança do esporte. A falha ocorre pela falta de informação, que acarreta muitas vezes em mergulhos de baixa performance e equipamentos de caça apreendidos por autoridades do meio-ambiente.
A apnéia é um esporte que está começando a se popularizar. Considerando que até pouco tempo, a modalidade era atribuída a super-heróis autores de façanhas como a de Dal Toé o interesse de crianças e adultos pela diversão e descobrimento do mundo submarino e do próprio corpo cresce gradualmente. Os pescadores subaquáticos formam outro grupo que busca na apnéia técnicas que prolonguem sua estada em baixo dágua a procura de peixes. O equipamento é mais simples e barato que o do mergulhador autônomo: consiste numa máscara, snorkel e um par de nadadeiras.
Fotos: A.I.D.A. - Associação Internacional para o Desenvolvimento da Apnéia





