As explicações da Ferrari por mais um fracasso
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sábado, 30 de outubro de 1999
Por Livio Oricchio 
Suzuka, 31 (AE) - Passado o choque inicial da perda do título de pilotos, a equipe Ferrari chegou até a comemorar a conquista do campeonato de construtores, hoje em Suzuka. Já são agora 20 anos de espera. Ano que vem a Ferrari atingirá a maioridade nessa abstenção. Mas Eddie Irvine, que dia 10 completa 34 anos de idade, em nenhum momento parecia abatido com a perda da chance, que talvez não lhe surja mais, de ser campeão do mundo. "Não há o que reclamar, Mika Hakkinen fez hoje um trabalho fantástico e mereceu o título." Michael Schumacher protestou contra David Coulthard, da McLaren.
"Em alguns momentos a corrida me incomodou, passei então a acompanhar a prova pelos telões para ver se não acontecia nada com Hakkinen", disse Irvine. O Mundial de Construtores não é o que a Ferrari mais desejava, mas fica como consolo, comentou o norte-irlandês. "Acho que é um bom presente para quem está deixando a equipe, em especial por que a Ferrari não conquistava um título a muito tempo." Em 1983 os italianos chegaram em primeiro entre os construtores.
Como Schumacher e todos que acompanharam a disputa, Irvine acredita que se o alemão tivesse largado na frente a história do GP do Japão e da 50ª temporada da F-1 teria sido diferente. "Eu consegui passar David Coulthard (o outro piloto da McLaren), mas Michael perdeu a ponta para Hakkinen e aí ficou difícil." Ao longo do ano, segundo Irvine, a Ferrari errou menos que a McLaren. "Por esse motivo penso que nós também merecíamos ter vencido." Três horas depois da bandeirada, Jean Todt procurou a imprensa italiana e perguntou aos jornalitas se desejavam ouvir Schumacher. A iniciativa os surpreendeu. "Vocês acham que é fácil vencer uma organização como a McLaren-Mercedes?", perguntou Schumacher. "Esse título da Ferrari não é o que nós queríamos mas tem valor." Mesmo tendo jogado fora a oportunidade de sair na frente de Hakkinen e impor o ritmo da corrida, como fez no GP da Malásia, Schumacher acha que dava para brigar pela vitória caso David Coulthard não o tivesse sido "deslealmente" segurado.
"Quanto à largada, o que se passou foi uma combinação de um erro meu com a imperfeição do nosso sistema de embreagem"
explicou. "Esse é um ponto a evoluir no próximo carro." As rodas da Ferrari giravam em falso enquanto Hakkinen disparava na frente. "Pouco antes do meu segundo pit stop (volta 37), meu ritmo era melhor que o de Hakkinen e reduzi bem a nossa diferença", disse. Na 34ª volta o piloto da McLaren tinha 5,3 segundos de vantagem para Schumacher enquanto ela já tinha sido de 11 segundos.
"David Coulthard, retardatário, não me permitiu ultrapassá-lo da curva 3 até a 11 (39ª volta), fazendo-me perder dez segundos", afimou com raiva. Ele perdeu na realidade quatro segundos. Coulthard, como tantas vezes este ano e na carreira, se acidentara na 35ª volta. "Na Malásia eu segurei Hakkinen, mas nós brigávamos pela posição, enquanto aqui David tinha bandeira azul (para dar passagem) a pista toda por ser retardatário." O comportamento de Coulthard deixou o alemão irado. "Ele fazia zig-zag para não ultrapassá-lo, o que me faz crer que na Bélgica, ano passado, ele tirou mesmo o pé para eu bater na sua traseira." Sua previsão para o fim da corrida, caso Coulthard não o fizesse perder tempo, é arrojada. "Eu estaria brigando com Hakkinen pela vitória." Para Schumacher, agora, o importante é pensar que a Ferrari terminou o Mundial quase no mesmo nível da McLaren. "Nós compreendemos melhor como usufruir todo o potencial do pneu, uma novidade para nós." A McLaren já competiu em 1998 com pneus Bridgestone, enquanto a Ferrari usava Goodyear. Este foi o primeiro ano dos italianos com o pneu japonês. "Só com as modificações para Nurburgring (etapa anterior ao GP da Malásia) compreendemos nossos erros." Para Schumacher, não há dúvida: "Temos grandes chances de sermos os campeões do ano 2000."


