As cores da moda
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quinta-feira, 06 de julho de 2006
Ary Cunha<br> Agência O Globo 
Hamelin - O canto dos franceses continua o mesmo, mas o uniforme... Na lógica de uma Copa em que a seleção considerada a melhor do planeta amarelou nas quartas, o tradicional grito de ''Allez, les bleus'' não empurrará o time de azul na final deste domingo, em Berlim. Desde que se classificou em segundo lugar no Grupo G e passou a adotar camisa, calção e meiões claros, a França não deixou mais seus adversários verem a cor da bola. Se a tinta não derramar no último retoque, a Squadra Azzurra será a última vítima da superstição branca de Raymond Domenech.
''Aconteceu por acaso, mas curiosamente o uniforme branco está dando certo. Juro que não é superstição. Meu time pode jogar de azul, branco ou até vermelho (cores da seleção francesa), tanto faz a cor. Só não aceito mais que misturem os tons. Quando mesclaram, contra a Coréia do Sul, não ganhamos'', disse o treinador, amante das disciplinas esotéricas.
O segundo uniforme trouxe resultados e harmonizou discursos. De cartolas a jogadores, todos apontam o novo amuleto como um trunfo a mais para enfrentar a Itália. Em Paris, a cor da moda é o branco. ''Sei lá, acho que o uniforme pode explicar um pouco a nossa reação na fase decisiva. Deve estar trazendo sorte mesmo. Sendo assim, melhor deixar como está, embora é bom que se deixe claro que ainda somos os 'bleus''', brincou o apoiador Malouda.
O presidente da Federação Francesa de Futebol, Jean-Pierre Escalattes, também se rendeu à cor que trouxe paz ao castelo de Munchhausen, onde o time está concentrado. No início, segundo ele, era apenas um castigo pelo fato de o time ter se classificado como segundo e o adversário poder jogar com seu uniforme principal. ''Essas questões de uniforme são discutidas na véspera da partida numa reunião entre o trio de arbitragem e representantes das duas seleções e das equipes de TV que detêm os direitos de transmissão. A mudança é para não dar confusão nas imagens geradas para todo o mundo, mas acabou virando uma boa coincidência'', explicou o dirigente.
Escalattes só não se habituou ainda com a confusão cromática que vem das arquibancadas. ''Tem sido meio estranho ouvir o grito de 'Allez les bleus' com o time todo de branco'', disse.
Na França, o azul virou roupa de ocasião. Só é visto nos treinos e nos ternos bem cortados que jogadores e comissão técnica usam para ir aos estádios. Independentemente da cor, o traje da elegância francesa é um só: a camisa 10 de Zinedine Zidane. ''Jogar ao lado do Zidane é um privilégio. A gente está sempre aprendendo um pouco com ele'', derrete-se o jovem apoiador Ribery, 23 anos, apontado por muitos como futuro maestro dos franceses em campo.
Casa Azzurri Do outro lado, a Itália transformou o azul em entidade. O culto ao vermelho da Ferrari se limita às pistas. Quando o assunto é Calcio, o vermelho, branco e verde da bandeira do país ficam em segundo plano. O que é fácil constatar não só pelo uniforme, mas também pela decoração do amplo centro de convenções montado pela Federação Italiana em Duisburg. O nome não poderia ser outro: Casa Azzurri.
A escolha do local também respeitou critérios cromáticos. O MSV Duisburg, dono do estádio e do centro de treinamentos usados pelo time de Marcello Lippi, tem o azul como cor predominante no uniforme. As superstições em branco e azul vêm dando certo até agora. No duelo entre Azzurri e Bleus, resta saber quem vai encontrar o pote de ouro no fim do arco-íris em Berlim.


