Artilheiros reclamam de isolamento e azar para justificar ataques de riso
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segunda-feira, 10 de agosto de 1998
Ed Carlos Rocha Edmundo Inagaki 
Falta de sorte e de atenção, intranquilidade, isolamento. Esses são alguns dos argumentos dos atacantes Brandão, do Coritiba, e Tuta, do Atlético Paranaense, para o fraco desempenho até agora no Campeonato Brasileiro. Ídolos e esperança de gols das torcidas, ambos só marcaram um gol cada um até agora e receberam mais vaias do que aplausos. A fase ruim, segundo eles, acaba com o próximo gol.
Afastado da equipe no Brasileiro do ano passado devido a uma contusão no joelho, Brandão sempre foi esperado pela torcida em função dos gols que fez em 96. Desde que voltou da contusão, no final do Paranaense do ano passado, o artilheiro não vem conseguindo marcar com frequência.
Especificamente no Brasileiro, Brandão disputou três partidas. Fez um gol, desperdiçou um pênalti e pelo menos cinco chances claras de gol. No empate do último sábado (2 a 2), em casa, contra a Ponte Preta, o atacante perdeu dois gols dentro da pequena área e foi alvo de vaias constantes dos torcedores.
Para o atacante, um pouco de intranquilidade está atrapalhando um melhor desempenho. Às vezes a vontade de acertar é grande e acaba faltando tranquilidade. Mas é só fazer um gol no próximo jogo que tudo volta ao normal.
Segundo Brandão, as vaias da torcida não incomodam porque os torcedores têm razão em vaiar. Quando recebo vaia fico chateado porque fica claro que não estamos jogando bem. A torcida tem razão em vaiar porque quer a vitória e não estamos vencendo.
Tuta reclamou ontem do isolamento do ataque e da falta de sorte do Atlético nas cinco partidas disputadas até agora pelo Brasileiro. O rubro-negro, com três pontos ganhos, ainda não venceu na competição - derrotas para o Sport Recife (2 a 0) e Palmeiras (1 a 0) e empates com Coritiba (2 a 2), Santos (1 a 1) e Grêmio (0 a 0).
As oportunidades de gol estão surgindo, só que infelizmente não estamos conseguindo finalizar corretamente. Sei que a torcida está impaciente com o time, com toda razão, pois não estamos conseguindo vencer as partidas, mas é incrível a nossa falta de sorte. Outro problema é que a bola não está chegando como deveria lá na frente. Estou muito isolado, às vezes com dois marcadores em cima, sem ninguém para me ajudar, desabafou.
Tuta não acredita que esteja faltando humildade ao time. Pelo contrário. Nós estamos conscientes do nosso potencial e determinados a mostrar um bom trabalho neste campeonato. Parece brincadeira, mas é verdade: nos treinamentos, tudo aquilo que fazemos dá certo. Chega na hora do jogo, as coisas simplesmente não acontecem. Só posso lamentar a nossa falta de sorte e espero que daqui pra frente o professor Abel peça para que um ou mais companheiros encostem no ataque, jogando mais próximo do gol.
Além de pedir um futebol mais solidário ao grupo, Tuta diz que se ressente da falta de ritmo de jogo. Por mais que eu tente fazer as jogadas normalmente, sinto que não estou 100% fisicamente, porque ainda estou me recuperando da contusão (fratura) no tornozelo.
O jejum de gols não é privilégio dos atacantes atleticanos e coritibanos. Até agora, nenhum dos cinco atacantes do Paraná - Edmundo, Luciano Viana, Tico, Auecione e Luis Carlos - conseguiu marcar. Os quatro gols da equipe neste campeonato foram feitos por jogadores de defesa e meio-de-campo. O resultado disso é que o técnico Otacílio Gonçalves ainda não conseguiu ter uma dupla de atacantes definida.


