Artilheiro, Neílson conquista torcedor
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sexta-feira, 29 de março de 2013
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Neílson desembarcou em janeiro no Londrina com o discurso de que queria fazer história no clube. Para quem ouviu, era mais um dos clichês que povoam as apresentações de jogadores. Porém, o camisa 9 do Tubarão vai deixando o chavão de lado para transformá-lo em realidade. Com raça, técnica e gols, o jogador já entra na fila para ser ídolo da torcida alviceleste e começa a cravar realmente seu nome na história do clube.
O N9 vem sendo o grande nome do time no segundo turno, junto com Danilo. Enquanto o goleiro faz milagres lá atrás, o atacante faz uma jogada individual, da qual saem gols salvadores. Já são nove até agora, o que dá a ele a condição de artilheiro do torneio, ao lado do atleticano Douglas Coutinho e de Potita, do J.Malucelli.
Mas não é somente com gols que o jogador vem se destacando. Nas duas últimas partidas, ele deu duas assistências, coincidentemente para os gols de Maicon, contra Arapongas e Cianorte, além de ter cavado o pênalti que resultou no gol de Germano, o único da vitória alviceleste sobre o Paraná Clube, há três rodadas.
Neílson era um sonho antigo do técnico Cláudio Tencati, com quem trabalhou junto nos tempos de Cianorte, onde despontou para o futebol. No ano passado, quando o acerto era dado como certo, apareceu o Avaí para atrapalhar a negociação. Mas em 2013 não houve obstáculos para o namoro virar casamento.
O acerto com o Londrina era a chance que ele precisava para dar a volta por cima na carreira após uma temporada para ser esquecida. Neílson chegou ao Avaí no início do ano passado com moral. Havia sido campeão catarinense pela Chapecoense e se tornado o maior artilheiro do time na década com os sete gols que marcou na Série C do Brasileiro daquele ano. Porém, na Ressacada, não teve a mesma sorte. Voltou a ser campeão estadual, mas jogou pouco e foi emprestado ao Caxias, para a disputa da Série C. No time gaúcho, fez seis jogos e não marcou nenhum gol. "Sei da minha capacidade e do que eu quero para a minha vida no futebol. Quando surgiu a possibilidade de vir para o Londrina, vi a estrutura que havia aqui, os profissionais que aqui estavam e que poderia ser diferente, poderia dar a volta por cima e vem dando resultado", confessou.
Neílson demorou algumas rodadas para cair no gosto do torcedor. Chegou meio tímido e foi sendo ofuscado por Celsinho, que teve um início de campeonato arrasador, fazendo os gols que centroavante não estava conseguindo. Aos poucos, foi se impondo e mostrando que era fundamental para a equipe.
No returno, fez de letra o gol da vitória sobre o Toledo. Contra o Paraná sofreu um pênalti. Em Arapongas, além dos dois gols que fez e da assistência que deu, tirou uma bola em cima da linha, evitando o gol araponguense. Contra o Cianorte, preso em uma marcação muito forte, encontrou espaço para voltar a marcar.
Xodó da torcida, ele mudou a comemoração. Agora, ela é no alambrado, junto à massa. "O que a torcida vem fazendo é muito importante para nós. Quando a torcida abraça o time, ele vai junto com a torcida. Não podia estar dando errado", resumiu a relação o camisa 9, que sabe que as dificuldades, como as encontradas contra o Cianorte, serão cada vez maiores. "Conforme os gols vão saindo, vai aparecendo a marcação mais dura e tem que saber lidar, sair dessa marcação, porque o Londrina vai ser cada vez mais visado".
Amanhã, o time tem a decisão do turno contra o Atlético, no Ecoestádio Janguito Malucelli. O Furacão, mesmo atuando com sua equipe B, está dois pontos atrás do Londrina, que tem 18 e lidera o returno. Com seis vitórias consecutivas, o Londrina chega com um leve favoritismo para o duelo, mas o jogador não pensa assim. "Não digo favorito, mas (o Londrina) chega muito forte pelo que a equipe fez no segundo turno. Seis jogos, seis vitórias dificílimas, mas vale ressaltar o que o Atlético também vem fazendo. É uma decisão e estamos centrados nesta decisão. Respeitamos o Atlético, mas vamos lá para buscar os três pontos", analisou Neílson. "Nosso objetivo é bem maior do que fizemos até agora e vamos brigar por esse título", completou.
Para o duelo, o técnico Cláudio Tencati não terá o volante Diogo Roque, que recebeu o terceiro cartão amarelo. Serginho Paulista deve ser o substituto.


