ARTES MARCIAIS - Lutadora quer disseminar o Wushu
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sábado, 01 de maio de 2004
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Shifu, gunshu, taichichuan, taolu e sanchou. Estes termos esquisitos para a grande maioria das pessoas fazem parte da rotina de Marilene de Carvalho, 22 anos, uma das principais lutadoras brasileiras de wushu ou kungu-fu.
A mineirinha de Uberaba, que escolheu Londrina para morar há três anos, desde que iniciou o curso de Direito na Universidade Estadual de Londrina (UEL), começou a lutar aos 11 anos no Triângulo Mineiro. ''Eu fazia jazz, mas não dava certo. Meus irmãos faziam taekwondo e peguei gosto pelas artes marciais. Via filmes do Bruce Lee e do Jack Chan, que me inspiraram e então comecei a lutar'', relembra. O apoio em casa era total. ''Meu pai também lutava e a gente treinava juntos em casa'', acrescenta.
Ela compete na categoria taolu, onde demonstra movimentos de ataque e defesa, com as mãos livres, ou com alguma arma, como bastão, lança e espada. ''Acho mais bonito e não é violento. Tem movimentos parecidos com os da ginástica olímpica'', diz.
Por isso, ela aliou as técnicas dos dois esportes para melhorar o rendimento no wushu. Passou a treinar ginástica há três meses. ''Não treino tudo, só o que interessa, como o salto, alongamento e flexibilidade. Tive uma melhora significativa. Não conseguia sair do chão antes'', conta Marilene.
Mesmo tendo um bom desempenho nas competições das quais participa, ela enfrenta os problemas de o wushu ser um esporte um tanto desconhecido. A falta de patrocinador é o principal deles. ''Quando procuro, não consigo. O pessoal fala que não tem interesse, não tem condição ou que o esporte não tem divulgação'', revela.
Por não ter como arcar com os custos ela realiza os treinamentos sozinha, no Zerão, três vezes por semana. ''Na academia é melhor, mas tem custo e não tenho como pagar'', conta Marilene.
Mesmo com a falta de apoio, ela consegue se manter no topo do esporte. É a atual vice-campeã brasileira na categoria espada reta e, na última Copa Mercosul, disputada em abril, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, conquistou três medalhas de ouro, nas categorias espada reta, mão livre e ''louva-deus''.
Se conseguir um patrocinador Marilene disputará o brasileiro deste ano e partirá para as competições internacionais, para tentar bater a brasiliense Paula Amidami, principal lutadora brasileira. ''Ela é muito boa'', admite.
Enquanto aguarda um patrocínio, ela se prepara para a disputa do Campeonato Paranaense, que será realizada em julho, em Londrina. Marilene ainda sonha em montar o seu próprio centro de excelência em wushu.


