Arte F. C. apresenta o mundo da bola
Paulo Briguet
Enviado da Folha
Há certos instantes, dentro dos 90 minutos, em que não é possível separar o futebol da arte. Anderson Passos sabe disso. Ele trabalha no ponto de encontro entre os mundos da bola e da beleza. Aos 22 anos, o artista plástico de Foz do Iguaçu preparou a exposição Arte Futebol Clube, com 25 telas sobre futebol, para coincidir com as finais da Copa América. A mostra individual começou nesta semana e permanece aberta ao público até o dia 30, na Fundação Cultural Foz do Iguaçu.
O movimento, a habilidade, a alegria, as figuras, o vigor e a raça do futebol inspiram as obras de Anderson Passos. A criação de uma tela pode surgir de uma foto no jornal, de uma imagem na TV, de uma jogada bonita, de um apito final. A foto pode ser um ponto de partida. Mas eu não me limito a ela. Geralmente mudo as cores, as figuras, os lances, diz ele.
Da mesma forma que os jogadores de futebol, Passos tem um estilo e uma técnica. Sua técnica atual é o acrílico sobre papel; seu estilo é expressionista. Com pinceladas fortes e cores fortes (predominam azul, amarelo e vermelho), o artista procura transmitir a agilidade e a dinâmica do futebol através de seus quadros.
Passos conta que o futebol tem sido seu principal tema desde o início da carreira, há sete anos. Aos 12 anos, eu queria ser jogador de futebol, como quase todo garoto nessa idade. Era atacante e cheguei a treinar em escolinhas daqui de Foz.
A carreira no futebol não deu certo. Era só euforia, admite. Mas, quando começou a estudar artes plásticas, Anderson Passos viu que seria possível unir a admiração pelo futebol ao gosto pela arte.
Nas artes plásticas, o grande ídolo de Passos é o pintor holandês Vincent Van Gogh; no futebol, o meio-campista Raí.
A admiração por Raí teve origem na fase áurea do São Paulo, em que o clube foi bicampeão mundial interclubes (92/93). Na época, Anderson Passos era verdadeiramente obcecado por futebol. Ele confessa: Eu era fanático mesmo. Sabia mais sobre futebol que os próprios jogadores.
Do seu período de fanatismo, Anderson Passos selecionou seis quadros, em estilo realista, na técnica de guache sobre papel. Uma das guaches retrata o craque Raí defendendo o São Paulo. Passos comenta:
- Achei importante incluir na exposição esses quadros anteriores para mostrar a evolução do meu trabalho.
O fanatismo passou, mas o artista até hoje continua sendo um entusiasta do futebol. A plástica dos lances está mais evidente nas obras recentes, expressionistas.
Anderson Passos observa que seu processo criativo está ligado à inspiração. Nos momentos de criação, a euforia de Anderson Passos se parece com a euforia do gol.
- Posso passar várias semanas tentando pintar, sem conseguir nada. De repente, acordo em uma manhã e começo a trabalhar no quadro. Quando isso acontece, levo no máximo um dia para concluir a obra.
Assistindo aos jogos da Copa América, Anderson Passos já encontrou algumas fontes de inspiração para futuras obras. Entre as imagens que marcaram, Anderson lembra o gol de Ronaldinho contra a Venezuela, os gols de Amoroso e a comemoração dos pênaltis defendidos por Dida. Aliás, a intenção de Passos era mostrar seus quadros aos jogadores da Seleção em Foz do Iguaçu.
A carreira de Anderson Passos prossegue e ainda poderá reservar lances inesperados. Ele atualmente estuda surrealismo e promete obras futebolísticas nesse estilo. O artista, mais do que ninguém, concorda com a expressão dos locutores de rádio diante de uma bela jogada: Foi uma pintura.
Reprodução/Ney de SouzaCOMUNICAÇÃO
Entre o homem e a bola, existe uma sintonia perfeita, que o pintor representa por ondas. Eles estão integrados, como se houvesse uma comunicação telepática entre o craque da camisa 10 e a pelota que desliza no gramado. Não é à toa que até hoje chamam esse homem de rei. Ele impera no mundo concêntrico da bola.
Reprodução/Ney de SouzaHOMEM A HOMEM
A bola veio do alto. O jogador brasileiro e seu marcador sobem, e por um instante ficam parados no ar. A camisa amarela e a camisa vermelha decolam para depois cair. Os olhos da platéia - no estádio Planeta Terra - acompanham o desfecho do lance. Tudo leva a crer que o homem de verde-amarelo vencerá.
Reprodução/Ney de SouzaFASE ÁUREA
Raí domina. Ele é o comandante da fase áurea do São Paulo. Corre com tranquilidade sobre o gramado. A torcida grita seu nome. O adversário, ao lado, sabe o que Raí representa. Os marcadores o cercam com atitudes que vão da reverência à violência. O craque, por enquanto, segue adiante.
Reprodução/Ney de SouzaCAMISA 11
O título do quadro diz tudo: Baixinho! Com 1,68 metro de habilidade, malandragem e polêmica, Romário tenta o inesperado. O atacante traz o eterno perigo da camisa 11. Ele sabe explodir ou implodir arquibancadas. Despreza a física em nome da arte.





